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EXPERTSDADOS BLINDADOS

Cibersegurança é sim um tema para mulheres

Mão de obra feminina que trabalha com segurança da informação dobrou em dois anos, mas ainda há muito a ser feito no combate à desigualdade dentro do mercado

 

Ainda que o mercado de TI e cibersegurança seja um campo em plena expansão, com inúmeras oportunidades de trabalho disponíveis em todos os cantos do planeta, a realidade é que o cenário ainda não é igual para todos.

Temos, por exemplo, menos mulheres do que homens na área de segurança digital. Felizmente, a boa notícia é que esse cenário está gradualmente mudando, com mais mulheres se juntando ao setor e trabalhando para buscar cargos de liderança.

Atualmente, segundo o Cybersecurity Workforce Research 2019, realizado pelo (ISC)², 24% da comunidade de Segurança da Informação é composta pela mão de obra feminina. Isso significa duas vezes mais do que tínhamos em 2017, quando esse número era de apenas 11%.

As mulheres estão se afirmando na profissão ano após ano. Impulsionada por níveis mais altos de educação e mais certificações, a presença feminina vem se consolidando, inclusive, em postos mais altos da hierarquia das empresas.

Em comparação com os homens, as mulheres hoje têm aumentado seus os percentuais de ocupação em cargos como chefe de tecnologia, vice-presidente de TI, diretor de TI e C-level. Proporcionalmente, os números mostram que as mulheres estão ocupando mais funções de liderança do que os homens, alcançando postos mais altos na hierarquia corporativa.

A ascensão das profissionais a essas funções de destaque tem sido permitida, por exemplo, pela crescente qualificação das mulheres. Enquanto 44% dos homens na área de cibersegurança possuem grau de pós-graduação, o número de mulheres com diplomas dessa categoria é de 52%.

Outra diferença importante entre mulheres e homens no mercado de trabalho é que elas são mais jovens, no geral. Quase metade das profissionais de cibersegurança é da Geração Millenials (45%), sendo que apenas um terço (33%) dos homens está nessa faixa de idade. Os homens da Geração X representam uma porcentagem maior da força de trabalho (44%) do que as mulheres (25%).

Apesar de estarmos diante de um cenário em clara evolução, não podemos deixar de avaliar que ainda há muito a ser feito no combate à desigualdade dentro do mercado. As mulheres ainda enfrentam uma realidade difícil, sobretudo no que se refere aos salários.

Pesquisas indicam que, em média, as mulheres em cargos gerenciais de segurança cibernética ganham cerca de US$ 5 mil a menos do que os homens

Pesquisas recentes indicam que, em média, as mulheres em cargos gerenciais de segurança cibernética ganham cerca de US$ 5 mil a menos do que os homens – ainda que parte dessa diferença seja provocada pela menor experiência dentro das companhias e pela menor idade.

Essa é uma questão que precisa ser abordada pelas empresas de forma urgente. As mulheres estão conquistando seu espaço graças ao talento e dedicação e podem ser tão ou mais úteis do que qualquer outro profissional, independentemente do gênero. Vale dizer, no entanto, que essa é uma discussão que não é importante apenas em relação à justiça social, mas também para ampliar as oportunidades à disposição das próprias empresas.

Estimular a igualdade é essencial para garantir o maior acesso de mulheres. Em primeiro lugar, para garantir que as atuais profissionais de cibersegurança sigam na área, depois, para atrair as gerações futuras. Quanto mais mulheres obtiverem sucesso no setor, maior a probabilidade de atraírem outras mulheres para o campo.

A participação feminina e de profissionais mais jovens é uma forma prática para suprir uma necessidade aguda, que já atinge as empresas hoje em dia. Afinal de contas, nunca é demais lembrar que a área de cibersegurança precisa lidar com uma escassez de mão de obra em escala global, com um déficit de mais de 3,35 milhões de profissionais em todo o mundo.

A crescente representatividade feminina é uma notícia positiva para o mercado e as empresas como um todo. À medida que as mulheres ganham espaço na profissão, elas servem como modelos para outras mulheres que desejam ingressar no mercado. Isso tornará a força de trabalho mais diversificada e, como resultado, mais inovadora e capaz de resolver problemas, além de ajudar a solucionar a lacuna de habilidades em segurança cibernética.

Para formar equipes de cibersegurança aptos para o futuro digital, as organizações devem tornar a segurança cibernética uma carreira gratificante e receptiva para todos. Líderes de tecnologia e de negócios devem compreender os desafios que a segurança da informação oferece e, com isso, buscar formas para aproximar mais especialistas para suas equipes.

As mulheres estão se mostrando um caminho prático, não apenas para rechear as áreas de segurança, mas para de fato transformarem as ações. Resta saber quem saberá utilizar esse potencial a ser explorado em uma verdadeira vantagem competitiva como base para acompanhar as inovações e demanda do futuro.

Gina van Dijk é diretora regional do Cybersecurity and IT Security Certifications and Training (ISC)² na América Latina desde 2014, liderando o desenvolvimento e a implementação de estratégias, operações e iniciativas da organização em toda a região. Holandesa/nigeriana com coração brasileiro, Gina possui 25 anos de experiência na área de gestão de associações e eventos e começou sua trajetória profissional na MCI Bruxelas, Bélgica, em 1994. 

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