Nos últimos meses, a Raízen vem cumprindo uma forte onda de desinvestimentos na tentativa de reduzir sua alavancagem financeira. E, dando sequência a essa agenda, a empresa divulgou o maior acordo dentro dessa safra na manhã desta sexta-feira, 29 de agosto.
O grupo anunciou a venda das usinas de Rio Brilhante e Passa Tempo, localizadas em Rio Brilhante (MS) para a Cocal Agroindústria. O negócio inclui a cessão da cana própria e dos contratos com fornecedores vinculados a essas unidades, cuja capacidade instalada somada é de 6 milhões de toneladas por safra.
A Raízen informou que o montante total da operação é estimado em R$ 1,54 bilhão. Nos termos acordados, cerca de R$ 1,32 bilhão se referem aos ativos. Enquanto os R$ 218 milhões restantes correspondem aos investimentos em manutenção de entressafra deste ano.
Após a conclusão dessa operação, que está sujeita à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a companhia passará a operar um portfólio de 25 usinas, com capacidade instalada de moagem de aproximadamente 75 milhões de toneladas por safra.
Em comunicado, a empresa ressaltou que a transação está alinhada à sua estratégia de otimização do portfólio de ativos, simplificação das operações e captura de eficiências, com foco na melhoria da rentabilidade de seu portfólio agroindustrial.
Com o acordo anunciado hoje, o pacote de reciclagem do portfólio da Raízen já soma mais de R$ 4,2 bilhões. Nessa direção, no fim de julho, a companhia anunciou a venda de 55 usinas de geração distribuída (GD) da Raízen Energia, sua unidade voltada a serviços de energia renovável.
O acordo em questão foi fechado por aproximadamente R$ 600 milhões e envolveu a transferência de 44 ativos para a Thopen e 11 usinas de geração distribuída para o Grupo Gera, com quem, na oportunidade, a Raízen também encerrou uma joint-venture mantida desde 2011.
Uma semana antes, a Raízen já tinha comunicado a descontinuação das operações da Usina Santa Elisa, por tempo indeterminado. E, nessa linha, celebrou contratos de venda de até 3,6 milhões de toneladas de cana de açúcar, pelo valor aproximado de R$ 1,04 bilhão.
Sob o mesmo racional de otimização e desalavancagem, em maio, a companhia vendeu a Usina de Leme para a Ferrari Agroindústria e a Agromen Sementes Agrícolas, em um acordo de aproximadamente R$ 425 milhões.
No mesmo mês, o NeoFeed apurou que o grupo assinou um acordo para repassar usinas de GD para o Patria Investimentos. O acordo foi um desdobramento de outra transação firmada entre as duas partes, um mês antes, envolvendo a venda de 31 projetos para a Élis Energia, controlada pelo Patria.
Na primeira negociação com a Élis, fechada por R$ 700 milhões, os ativos incluídos somavam uma capacidade instalada agregada de até 115,4 MWp. E os temos incluíam justamente a possibilidade da aquisição de outros projetos pelo Patria.
Já em dezembro de 2024, em mais um passo dessa estratégia de desinvestimentos, a Raízen informou que vendeu até 31 projetos de geração distribuída para a Brasol, investida de um fundo da BlackRock e da Siemens, por R$ 425 milhões.
Na outra ponta dessa movimentação, a Raízen fechou o primeiro trimestre da safra 2025/2026, encerrado em junho, com uma alavancagem de 4,5 vezes, contra o patamar de 2,3 vezes apurado em igual período da safra anterior.
Nessa mesma base de comparação, a dívida líquida cresceu 55,8%, para R$ 49,2 bilhões. No período, a empresa reportou um prejuízo líquido de R$ 1,84 bilhão, revertendo o lucro líquido de R$ 1,06 bilhão divulgado um ano antes. A receita líquida, por sua vez, recuou 6,1%, para R$ 54,2 bilhões.
As ações da Raízen encerraram o pregão da quinta-feira, 28 de agosto, com alta de 2,83%. Em 2025, os papéis registram, porém, queda de 49,5%, dando à empresa um valor de mercado de R$ 10,9 bilhões.