Nos últimos dois anos, a inteligência artificial virou prioridade nas grandes empresas. Mas, apesar do entusiasmo com ferramentas como o ChatGPT e Claude, boa parte dos projetos não saiu do piloto ou não conseguiu provar retorno financeiro. É nesse gap entre promessa e resultado que uma startup brasileira busca se posicionar globalmente.

Fundada por ex-executivos da Zup, adquirida pelo Itaú em 2020, a NeoSpace nasceu com a proposta de transformar dados em valor real. O primeiro grande teste veio com o próprio Itaú Unibanco, que além de cliente se tornou investidor da startup e serviu como plataforma para validar a tecnologia em escala.

A partir daí, a NeoSpace começou a expandir sua atuação para setores como telecom, aviação e energia. Em entrevista ao programa do NeoFeed Revolução IA, o cofundador Felipe Almeida afirmou que os chamados LLMs (large language models), treinados para entender e gerar texto, não são ideais para processar grandes volumes de dados estruturados das empresas.

“Não adianta achar que uma LLM é um canivete suíço, um Bombril de mil e uma utilidades. Ela funciona muito bem para algumas coisas, mas não resolve tudo”, diz Almeida. “Quantas vezes a gente olha para o banco e fala: ‘como ele não me conhece, se tem todos os meus dados?’. Ou recebe uma oferta que não tem nada a ver com o seu momento.”

Para atacar essa lacuna, a NeoSpace desenvolve modelos voltados para dados, capazes de analisar milhões de interações e identificar padrões de comportamento em tempo real. Na prática, isso permite prever, por exemplo, quando um cliente está prestes a cancelar um serviço, qual produto faz sentido oferecer ou até antecipar falhas operacionais.

“O modelo consegue prever, por exemplo, que a rede de internet de uma região vai cair antes de acontecer. Em vez do cliente descobrir na prática, a empresa pode avisar: ‘olha, você pode ficar sem internet nas próximas horas’. Isso muda completamente a experiência”, afirma Almeida.

A lógica é semelhante a das redes sociais. Plataformas digitais já conseguem entender o comportamento do usuário em tempo real e ajustar o conteúdo exibido a cada interação. A diferença é que, agora, esse tipo de inteligência começa a migrar para setores como bancos, telecom e indústria.

Com o respaldo de investidores como Nigel Morris (cofundador do Capital One), Hans Morris (ex-CEO da Visa nos EUA) e o investidor de venture capital Mick Malka, a NeoSpace aposta que criar um “cérebro” capaz de entender o comportamento de milhões de clientes em tempo real e, a partir disso, orientar decisões de negócio é o caminho mais curto para gerar resultado financeiro com IA.