Instituto XP: o “sonho grande” para levar educação financeira a 50 milhões de brasileiros

O ambicioso projeto da companhia para oferecer cursos gratuitos para professores, jovens e pessoas em situação de vulnerabilidade ganha vida. A meta é formar 25% da população em dez anos

0
283
Leia em 4 min

Guilherme Benchimol, CEO da XP Inc., no lançamento do Instituto XP

As empresas da nova era precisam, acima de tudo, ter um propósito. Só assim elas serão capazes de transformar o mundo – e, claro, a si mesmas. Mas esse propósito não pode ser da boca para fora, é necessário ser genuíno. Poucas companhias brasileiras estão tão imbuídas desse espírito quanto a XP Inc.

Essa vocação pôde ser comprovada durante a Expert ESG, maior evento sobre o tema já realizado no Brasil. Na ocasião, a empresa lançou uma iniciativa inédita, o Instituto XP, que nasceu com a nobre missão de reforçar as suas ações sociais.

“Decidimos evocar aquilo que a gente faz bem. A XP começou a vida dela ensinando. Comecei a empresa dando aula. Por isso, nosso foco a longo prazo vai ser investir em educação. A gente acredita muito que dá pra transformar a vida se as pessoas administrarem bem o seu dinheiro”, diz Guilherme Benchimol, fundador e CEO da XP Inc.

“O Instituto XP será um dos pilares fundamentais para as nossas investidas nessa área”, diz Marta Pinheiro, diretora ESG da XP Inc. “Com o Instituto, certamente conseguiremos dar mais foco e velocidade para as questões sociais.”

A ideia central do Instituto XP é levar educação financeira para o maior número possível de pessoas. Para ser mais preciso: a meta é alcançar, juntamente com a Xpeed (a escola de educação financeira da XP), 50 milhões de brasileiros, principalmente jovens – mas não apenas eles – e as pessoas que estão em situação de vulnerabilidade.

Mais surpreendente ainda: o objetivo é fazer isso em no máximo dez anos. Isso mesmo: a XP quer, em uma década, levar conhecimento financeiro para cerca de 25% da população – algo provavelmente inédito na história do país.

O desafio será imenso. Estudos recentes mostram que sete em cada dez brasileiros desconhecem conceitos financeiros básicos e não poupam nada, sendo que 56% sequer fazem qualquer tipo de orçamento familiar. “Por isso mesmo, a causa é essencial”, afirma Marcella Coelho, head de impacto social da XP.

Marcella chegou à XP em janeiro passado e sua incorporação é um sinal inequívoco da preocupação da empresa em impulsionar as iniciativas sociais.

A escolha não poderia ter sido mais adequada. Ela criou no início da pandemia do coronavírus um movimento, o UniãoBR, que alcançou marcas impressionantes. Desde março do ano passado, o UniãoBR arrecadou R$ 190 milhões para ajudar no combate à Covid-19. Pelos cálculos da executiva, a iniciativa beneficiou dez milhões de pessoas.

É essa expertise, a capacidade de mobilizar parcerias e fazer um projeto ousado acontecer, que chamou a atenção da XP. Marcella tem agora o desafio de liderar o Instituto e tornar suas ideias em prol da sociedade ainda mais eficazes e abrangentes.

“O Instituto é fruto de uma semente que foi plantada desde a fundação da XP”, diz a executiva. “A vocação da empresa sempre foi levar educação financeira para as pessoas e, de alguma maneira, transformar as suas vidas. Tudo isso culmina agora na criação do Instituto.”

A espinha dorsal do projeto será a oferta de cursos na área financeira. Todos eles serão 100% gratuitos justamente porque a intenção primordial, diz a executiva, é chegar à base da pirâmide e às pessoas que não têm acesso a esse tipo de conteúdo.

Uma das propostas é criar uma plataforma com aulas online, uma espécie de hub educacional, mas eventos presenciais também serão realizados quando a pandemia acabar.

A XP não quer fazer isso com linguagem chata, usando e abusando dos chavões do mercado. Longe disso. Para que a transmissão da mensagem seja mais eficiente, ela precisa despertar a curiosidade das pessoas. “Os cursos terão muitos recursos audiovisuais para chegarmos principalmente aos mais jovens”, diz Marcella.

A educação pública é um dos alvos do Instituto. A ideia, no entanto, não é dialogar apenas com os alunos, mas com os próprios professores, municiando-os de conteúdos que possam ser passados adiante e que sirvam para o seu próprio desenvolvimento pessoal.

O conceito de rede permeia toda a iniciativa. A XP quer aproveitar todo o seu ecossistema – dos mais de 8 mil agentes autônomos parceiros aos clientes e parceiros – para ampliar o alcance do Instituto. “Vamos contar com a colaboração de quem está in loco e conhece melhor a realidade do território para nos ajudar a construir projetos realmente eficientes. A ideia não é criar projetos para as pessoas, mas sim com as pessoas”, diz Marcella.

Parcerias com Ongs, instituições educativas, empresas e representantes de diferentes extratos da sociedade também estão previstas, o que certamente garantirá maior capilaridade às ações desenvolvidas pelo Instituto. “Não somos uma obra acabada”, diz Marcella. “Vamos ajustando, adaptando e criando projetos à medida que novas ideias aparecerem.”

Em 2021, a XP pretende investir R$ 20 milhões no desenvolvimento do projeto. Isso, porém, é apenas o começo. “Nosso sonho é grande: ajudar as pessoas a realizar os seus sonhos”, resume Marcella. Nesse sentido, a educação é, sem dúvida, o melhor caminho.

Leia também