Itaú BBA coloca a inovação no centro dos holofotes

Promovido pelo banco, Tech Founders Summit 2022 debate os caminhos da inovação no Brasil e no mundo, apresenta as fronteiras tecnológicas que pautarão o mercado e joga luz sobre os grandes temas da atualidade

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Como será o futuro para as grandes instituições financeiras? É impossível dizer com certeza, mas uma característica não se discute: ele certamente será tecnológico.

Isso explica por que o Tech Founders Summit 2022, evento realizado pelo Itaú BBA, maior banco de investimentos do país, nos dias 7 e 8 de abril, no Cubo, a incubadora de startups do Itaú, fez tanto barulho.

Há imensa demanda por tudo o que envolve o tema – e ela certamente será cada vez maior, à medida que novos avanços tecnológicos e digitais surjam no horizonte das empresas.

Os números confirmam a força do evento. Nos dois dias, 750 pessoas viram as palestras ao vivo no Cubo, 2,6 mil acompanharam os debates remotamente, mais de 100 fundos de investimentos enviaram representantes e ao menos 300 fundadores de empresas marcaram presença.

Mais do que apenas debater os avanços tecnológicos dos últimos anos e apresentar as inovações que pautarão o futuro, o Itaú BBA promoveu conexões entre potenciais empreendedores, fundadores de startups, representantes de fundos de venture capital, executivos do ramo e o público interessado no universo tecnológico.

“Um de nossos principais objetivos era promover conexões entre os participantes do evento”, reforça Julia De Luca, tech manager do Itaú BBA. “Como se faz isso? Trazendo pessoas relevantes em suas áreas e oferecendo conteúdo de qualidade.”

Julia foi uma das idealizadoras do Tech Founders dois anos atrás, mas a pandemia e as restrições de circulação atrasaram o projeto. A ideia original era realizar o encontro na Califórnia, nos Estados Unidos. “Mas aí pensamos: temos um ecossistema tecnológico forte no Brasil, temos o Cubo. Ou seja, não precisamos ir ao exterior.”

Nos dois dias, 750 pessoas viram as palestras ao vivo no Cubo, 2,6 mil acompanharam os debates remotamente, mais de 100 fundos de investimentos enviaram representantes e ao menos 300 fundadores de empresas marcaram presença

A proposta foi bem-sucedida. O evento aprofundou questões urgentes para o mundo corporativo e abriu as portas para que os participantes fizessem um grande mergulho na temática digital.

Além da troca de conhecimento, o Tech Founders permitiu que o Itaú revelasse novidades ao mercado e trouxesse até uma pitada de polêmica – o que, ressalte-se, é ótimo em encontros desse tipo.

Durante o evento, o CEO do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, anunciou o lançamento de uma iniciativa cujo objetivo central é aproximar ainda mais o banco de startups. A intenção não é apenas apoiar empresas como parceiro, mas também como investidor.

O projeto é ambicioso. Para acelerar suas conexões com o ecossistema de startups, o banco contratou dois pesos-pesados do setor: Anderson Thees e Manoel Lemos.

A dupla atuará ao lado de Pedro Prates, cofundador e líder do Cubo Itaú. Eles serão responsáveis por conectar o Itaú a investidores, fundos, corporações e entidades do ecossistema brasileiro de inovação.

Não é de hoje que o Itaú está atento a esse universo. O Cubo foi fundado em 2015 e, desde então, se tornou o principal hub de fomento ao empreendedorismo tecnológico da América Latina. Apenas em 2021, as empresas incubadas levantaram mais de R$ 3 bilhões.

O Itaú é protagonista do segmento. O banco tem uma carteira de crédito estimada em R$ 5 bilhões para o segmento tech e, desde 2018, liderou mais de 20 IPOs de empresas de tecnologia.

Embora as empresas de tecnologia tenham passado por uma correção de seus valores de mercado nas bolsas do Brasil e do mundo nos últimos meses, o ciclo de investimentos deverá se manter no setor.

O banco tem uma carteira de crédito estimada em R$ 5 bilhões para o segmento tech e, desde 2018, liderou mais de 20 IPOs de empresas de tecnologia

Foi isso o que disse Alex Szapiro, operating partner e head do Brasil para o Softbank, um dos maiores investidores globais na área de tecnologia: “A primeira questão é não ter pressa. No longo prazo, sempre haverá altos e baixos.”

O executivo destacou que a maior parte dos fundos se mantém com bom volume de recursos para investir. Portanto, continuarão em busca de projetos inovadores. “Se uma empresa é boa, não importa o cenário”, resumiu.

As polêmicas também estiveram presentes no evento. Martín Escobari, copresidente do General Atlantic e head para a América Latina da gestora, disse que a época de bonanças está no fim. “O Brasil chegou atrasado na festa, mas a festa acabou para todo mundo ao mesmo tempo”, declarou durante o Tech Founders Summit.

Escobari explicou que os aportes em companhias de crescimento acelerado – que o mercado chama de “growth equity”– explodiram há quatro anos, mas foi só nos últimos 18 meses que o Brasil capturou parte desse movimento. Agora, disse, “ficou mais difícil levantar dinheiro.” Ele contou como é rigoroso em suas avaliações: “Eu dou um sim para cada 400 nãos.”

No campo das ideias, a futurista americana Amy Webb, fundadora do Future Today Institute, brilhou no encontro promovido pelo Itaú BBA e certamente deixou seus ouvintes otimistas. “O Brasil está à beira de criar ecossistemas que vão apoiar a economia global.”

Segundo ela, o ambiente de negócios brasileiro reúne duas características essenciais nesta nova era digital: é “vibrante” e “muito criativo.” A futurista justificou seu ponto de vista: “Boa parte de nossos clientes quer saber como fazer parcerias com empresas brasileiras e alavancar as coisas incríveis que vocês realizam.”

Duas tendências deverão pautar a inovação nos próximos anos. A primeira delas será a conexão entre inteligência artificial e biologia, que resultará no que ela chama de biologia sintética. Exemplo disso são as “carnes” desenvolvidas em laboratório, mas sem nenhum componente animal.

“O Brasil está à beira de criar ecossistemas que vão apoiar a economia global”, disse Amy Webb, fundadora do Future Today Institute

A segunda janela para o futuro é o metaverso, inovação ainda incompreendida pela maioria das pessoas e que vai muito além de desenhos e avatares, como muitos imaginam.

Afinal, o que poderemos fazer no metaverso? Amy respondeu: “Basicamente, tudo o que é feito fora internet, como ir ao shopping, visitar um amigo, ver um show ao vivo, sair de férias, tomar café com os colegas de trabalho e até comprar um imóvel.”

Inovações recentes que já estão devidamente presentes na rotina das empresas também foram abordadas no evento. Adam Selipsky, CEO global da AWS, divisão de serviços de computação em nuvem da Amazon, destacou como essa tecnologia desencadeou uma verdadeira revolução.

“Em um ambiente de nuvem, a empresa se sente mais confortável para correr riscos, já que os custos de eventuais erros são reduzidos e podem ser imediatamente corrigidos”, afirmou.

O projeto trouxe frutos. Dezesseis anos após o seu surgimento, a AWS responde atualmente por 13% das receitas da Amazon. Como o Tech Founders Summit demonstrou, a inovação é mesmo o melhor caminho.

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