PicPay consolida estratégia de diversificação e acelera negócios

Empresa consolida bem-sucedida estratégia de diversificação e passa a focar em crescimento com rentabilidade

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Eduardo Chedid, vice-presidente de serviços financeiros do PicPay

Nos últimos anos, o conceito de empresas de alto crescimento, também chamadas scale-ups, espalhou-se pelo universo corporativo e passou a balizar as companhias que possuem um modelo de negócios marcado pela vertiginosa expansão de seus produtos e serviços.

No Brasil, poucas empresas simbolizam tanto essa vertente quanto o PicPay, que rapidamente se consolidou como o maior aplicativo de pagamentos do País. Os números do PicPay traduzem à perfeição o que significa ser uma empresa de alto crescimento.

No quarto trimestre do ano passado, o aplicativo atingiu a marca de 30,1 milhões de usuários ativos. Um ano antes, eram 18,3 milhões. Em 2019, pouco mais de 4 milhões.

O número é impactante: são considerados clientes ativos aqueles que usaram ao menos um recurso do app ou têm saldo em conta no PicPay nos últimos três meses. A métrica, portanto, aponta o contingente de pessoas que utilizam a plataforma com frequência – e o número acelera sem parar.

Quantas companhias no Brasil podem se orgulhar de ter em sua base mais de 30 milhões de clientes fiéis? Certamente poucas. Em números totais, o PicPay conta atualmente com 65,8 milhões de usuários cadastrados, algo como as populações da Espanha e do Chile somadas.

Os dados financeiros do PicPay são o retrato de uma scale-up. No último trimestre de 2021, o TPV, indicador usado para indicar o Volume Total de Pagamentos (Total Payment Volume, em inglês), aumentou 204,6% se comparado com o mesmo período de 2020.

Em 2021, o TPV consolidado foi de R$ 91,9 bilhões, ou 153,2% acima de 2020. Por sua vez, as receitas líquidas cresceram 193,8%, em 2021, para R$ 1,1 bilhão.

Em 2021, o TPV consolidado foi de R$ 91,9 bilhões, ou 153,2% acima de 2020

Além disso, o PicPay está ampliando os valores transacionados na plataforma, o que é fundamental para a rentabilidade do negócio. A receita média por usuário encerrou 2021 em cerca de R$ 90, uma alta de 116,4% sobre o período anterior. E os avanços continuam. “Em fevereiro de 2022, estamos crescendo mais de 50% nessa mesma métrica”, revela André Cazotto, diretor de relações com investidores da empresa.

“O crescimento expressivo dos números é fruto da bem-sucedida estratégia de diversificação da companhia”, resume Eduardo Chedid, vice-presidente de serviços financeiros do PicPay.

O projeto nasceu de maneira estruturada no meio de 2020, quando foram criadas unidades de negócios que passaram a operar de forma quase independente.

Atualmente, a empresa atua em cinco frentes de negócios: carteira digital, marketplace financeiro, PicPay Store (a loja do aplicativo), serviços financeiros para o público PJ e social (que engloba as interações entre usuários por meio do feed e chat).

“Cada uma das áreas possui uma liderança que funciona quase como um presidente”, explica Chedid. Embaixo dela ficam profissionais de recursos humanos, diretores de tecnologia e chefes de produtos, entre outros.

O modelo permitiu que o desenvolvimento de produtos se tornasse mais ágil, tornando a inovação um processo contínuo. Como se sabe, inovação traz diversificação e, no passo seguinte, fontes adicionais de receitas.

Atualmente, cerca de 20% das receitas do PicPay vêm de produtos fora da carteira digital. Trata-se de uma participação expressiva considerando que a carteira digital continua em franca expansão. Quando nasceu, o PicPay era basicamente uma carteira digital para a transferência de recursos entre pessoas e pagamentos via QR Code.

A receita média por usuário encerrou 2021 em cerca de R$ 90, uma alta de 116,4% sobre o período anterior

Ao longo do tempo, a diversificação do portfólio, com produtos como PicPay Card, empréstimo pessoal, parcelamento de boleto com cartão e seguros, entre outros, fez com o usuário encontrasse mais funcionalidades para dar vazão ao saldo que tem em conta.
A lógica faz todo o sentido: a diversidade estimula o maior engajamento dos usuários e gera mais transações dentro do sistema. Uma coisa puxa a outra.

O ano de 2021 ficou marcado por uma série de inovações que reforçam a proposta da diversificação. Em agosto, o PicPay lançou o programa de afiliados dentro de seu marketplace.

Em linhas gerais, a iniciativa consiste no redirecionamento dos usuários para o site de lojas parceiras como Amazon, AliExpress e Shopee. Os resultados apareceram rapidamente. Em novembro, mês da Black Friday, os negócios gerados pela modalidade representaram mais de 20% das receitas da Store.

Também em 2021, o PicPay disponibilizou o Pix feito com cartão, que permite fazer a transação mesmo sem dinheiro em conta e dividir o valor em até 12 vezes, tendo assim o benefício do Pix e a flexibilidade do parcelamento em um único produto. Aliás, poucas instituições financeiras aproveitaram tanto o surgimento do Pix.

De acordo com Chedid, “o PicPay abraçou o Pix” e vem crescendo de forma sustentada o share em volume, transações, chaves e usuários. Atualmente, 7% dos brasileiros que utilizam o Pix, o fazem pelo PicPay.

Outra novidade de 2021 foi o lançamento do empréstimo entre pessoas, sistema conhecido como “peer-to-peer lending” (P2P). “Com isso, passamos a ser uma plataforma ainda mais completa e democratizamos o acesso ao crédito”, pontua Cazotto.

Cerca de 20% das receitas do PicPay vêm de produtos fora da carteira digital

As inovações fortalecem a estratégia de cross selling entre as verticais de negócios. Um cliente que navega com frequência na PicPay Store pode receber, por exemplo, uma proposta de empréstimo ou cartão.

As features sociais são vitais nesse processo. Com o serviço de direct message lançado no ano passado, os usuários interagem dentro da plataforma – e o PicPay pode utilizar o recurso para oferecer outros produtos. A ferramenta está em ascensão. Desde dezembro de 2021, o número de usuários que a utilizam triplicou, chegando a três milhões em fevereiro de 2022.

O ano de 2021 foi o mais intenso da história do PicPay. Em julho, a compra do GuiaBolso, fintech especializada em agregadores de contas e precursora do Open Banking no Brasil, deu novo impulso para os negócios.

Em pouco tempo, o marketplace do PicPay passou a integrar os serviços do GuiaBolso. Foram incorporadas à plataforma marcas como BV, Creditas, Digio, Empréstimo Sim e PortoCred, que juntaram-se ao Banco Original no time de parceiros que fazem parte do marketplace de empréstimos.

A estratégia de diversificação também passa pelo universo PJ. O PicPay acrescentou recursos nos apps PicPay Pro (para vendedores que não possuem CNPJ) e PicPay Empresas (para vendedores que possuem CNPJ).

Com isso, encerrou 2021 com o número recorde de 1,5 milhão de estabelecimentos comerciais ativos em sua plataforma.

As iniciativas apresentadas acima e uma postura agressiva de marketing, que inclui o patrocínio de três edições do BBB, consolidaram o PicPay como um dos apps mais conhecidos do país.

As novidades continuam em 2022. Há alguns dias, a empresa iniciou a venda de seguros no seu marketplace. Como uma genuína scale-up, o PicPay se prepara para o próximo passo. “O foco agora é crescer com rentabilidade”, conclui Cazotto.

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