XP acelera revolução tecnológica

Empresa contratou mais de 1 mil profissionais para a área de tecnologia, em 2021, e outros 800 deverão chegar em 2022. O objetivo: fazer da XP a instituição financeira mais valiosa e rentável da América Latina dentro de 3 anos

0
463
Leia em 4 min

A companhia inteira está de alguma forma envolvida com tecnologia

Como se dimensiona a jornada digital de uma empresa? Existem diversos critérios possíveis, mas um deles costuma ser infalível: o número de pessoas que atuam na área tecnológica. Nesse aspecto, a XP Inc. tem números surpreendentes para apresentar.

A empresa encerrou 2021 com a contratação de mais de mil profissionais focados em tecnologia – foram exatos 1009 –, um recorde nas suas duas décadas de história. O volume corresponde a 45% do total das vagas preenchidas no ano.

A maior parte das contratações foi feita para o segmento de engenharia de software, com 500 vagas preenchidas. As áreas de dados (158 profissionais contratados), infraestrutura (156), design (88), produtos (72), segurança da informação (27) e arquitetura (8) vieram a seguir.

Em 2022, o ritmo de contratações deverá seguir quase na mesma intensidade: a previsão é que ao menos 800 vagas tecnológicas sejam abertas. No momento, cerca de 300 posições aguardam para ser ocupadas por profissionais dessa área.

“Nos últimos anos, a tecnologia passou a ser parte estratégica da companhia”, afirma Bruno Guarnieri, CTO e CPO da XP Inc.. “Não estamos fazendo tecnologia por si só. Estamos fazendo para atingir nosso objetivo de negócio, que é fazer da XP a empresa financeira mais valiosa e rentável da América Latina até 2025”.

A XP iniciou a sua transformação no início de 2018. Na época, o time de tecnologia era composto por cerca de 150 profissionais, e não havia nenhuma squad estabelecida. Hoje em dia, o número de colaboradores da área está perto dos 2 mil e já são mais de 150 squads formadas. Ao todo, a XP tem aproximadamente 6 mil funcionários.

No momento, cerca de 300 posições aguardam para ser ocupadas por profissionais de tecnologia

O passo seguinte, iniciado no ano passado, foi integrar tecnologia e negócios, resultando na criação de business units, as unidades de negócios que passaram a reunir várias equipes multidisciplinares.

Além disso, quatro áreas principais se estabeleceram embaixo da estrutura de tecnologia: engenharia, produtos digitais, design e todo o segmento de infraestrutura.

A nova agenda digital coincidiu com a expansão da própria XP. Durante muito tempo, a empresa dedicou-se integralmente aos produtos de investimentos. Mais tarde, já consolidada nesse universo, entrou em segmentos como banking, crédito e seguro, expandindo consideravelmente suas áreas de atuação.

A tecnologia foi fundamental para apoiar as mudanças. “Agora, a companhia inteira está de alguma forma envolvida com tecnologia”, diz Guarnieri. “Somos, em essência, uma empresa digital”.

O executivo lembra que, isoladamente, a tecnologia não quer dizer muita coisa. “Hoje em dia, ela é muito mais do que uma área técnica”, ressalta. “Sua função primordial é, acima de tudo, atender o cliente e garantir a ele a melhor experiência possível.”

Bruno Guarnieri, CTO e CPO da XP Inc.

Como o conceito é expresso no dia a dia da empresa? Um exemplo interessante é o aplicativo da XP. Em dado momento, notou-se que era preciso aumentar a interação dos clientes dentro do ambiente do app.

A partir daí, os times multidisciplinares passaram a desenvolver ferramentas capazes de estimular a interação. Uma das funcionalidades foi permitir que os clientes “brincassem” no gráfico de rentabilidade do aplicativo, ajustando os períodos analisados conforme o seu interesse.

A novidade fez com que o chamado “stickiness” – métrica do marketing digital que mede o nível de engajamento do público – aumentasse 20%.

Guarnieri destaca que os produtos digitais lançados recentemente nasceram a partir do conceito de que não existe distinção entre tecnologia e negócio.

Em outras palavras: não faria sentido criar um produto sem que estivesse em sua premissa a capacidade de aprimorar a experiência do cliente.

Lançado em março de 2021, o cartão de crédito com “investback, modelo em que parte dos valores gastos é revertida em um fundo de investimentos, se enquadra nesse conceito.

A XP precisou de apenas cinco meses para colocar o produto no mercado, desde a concepção até a fase beta, quando os primeiros clientes começaram a usar o produto. Isso só foi possível, ressalta Guarnieri, graças ao trabalho multidisciplinar dos times de tecnologia, design, marketing e operações, entre outros.

Ao mesmo tempo em que têm autonomia para criar produtos, os profissionais de cada squad trabalham com metas de negócios. Eles possuem o que no mundo corporativo se chama de “visão holística” – é preciso conhecer o todo e não apenas fragmentos de cada área de atuação.

Ser uma empresa digital representará uma grande oportunidade competitiva diante de uma das maiores transformações da história do sistema financeiro brasileiro: o open banking.

“Não enxergamos o open banking como um marco regulatório”, afirma o CTO e CPO da XP Inc. “Encaramos como uma chance única para oferecer produtos de maior qualidade para o cliente.”

Nesse contexto, qual é o caminho para proporcionar melhores experiências para os clientes? A resposta não poderia ser outra: tecnologia.

Leia também