O modelo tradicional de assistência médica no Brasil tem uma lógica conhecida. Diante de qualquer queixa, mesmo as mais simples, o paciente quase sempre recorre ao hospital. O resultado aparece, principalmente, nos custos cada vez mais altos dos planos de saúde e consequentemente para as empresas.

Nos últimos anos, porém, a tecnologia começou a provocar mudanças no setor. A digitalização do acesso a serviços de saúde, aliada ao uso inteligente de dados, abriu espaço para novas formas de cuidar da saúde corporativa. Foi nesse contexto que, em 2017, nasceu a Conexa, hoje o maior ecossistema digital de saúde física e mental do país.

As soluções da empresa fogem, de fato, do padrão tradicional. Em vez de atuar apenas como intermediária entre pacientes e prestadores, a Conexa atua com gestão de saúde corporativa, antecipa riscos e age antes que problemas simples de saúde avancem para quadros mais complexos – e, portanto, mais caros.

“Durante muito tempo, o cuidado com a saúde foi fragmentado”, diz Guilherme Weigert, CEO da Conexa. “O colaborador ia ao hospital, depois a um cardiologista, buscava um nutricionista por fora, e nada disso conversava entre si. Viemos para mudar esse ciclo.”

A proposta chamou a atenção de investidores globais como Goldman Sachs, Vivo Ventures, General Atlantic e Patria Investimentos, e os recursos captados foram usados para o crescimento da empresa e aquisições como a Zenklub, startup especializada em saúde mental corporativa.

Hoje, a Conexa atende mais de 35 milhões de beneficiários e reúne em sua carteira mais de 10 mil empresas, 200 operadoras de saúde e 40 canais de distribuição – entre cartões de saúde e plataformas de benefícios flexíveis –, com clientes como Procter & Gamble, Havan, Afya, Klabin, Azul, Positivo, Grupo Uol e Volkswagen.

“Nosso modelo não vê o paciente como usuário de um atendimento, mas como alguém que precisa ser acompanhado ao longo do tempo”, diz Gabriel Garcez, VP de Saúde da Conexa. Foi a partir dessa lógica que nasceu o Hospital Conexa, a aposta mais recente – e mais ambiciosa – da companhia. “O Hospital Conexa funciona como porta de entrada para toda a jornada de saúde do colaborador”, afirma o executivo.

O serviço funciona 24 horas por dia, com acesso por WhatsApp, aplicativo ou site. Entre outras soluções, oferece pronto-atendimento digital, médico de família, consultas com especialistas e encaminhamento para exames.

Ao contratar o serviço, a empresa passa a contar com um corpo clínico dedicado aos seus colaboradores, com mais de 35 especialidades de saúde física e mental e uma rede de 6 mil profissionais da saúde

Ao contratar o serviço, a empresa passa a contar com um corpo clínico dedicado aos seus colaboradores, com mais de 35 especialidades de saúde física e mental e uma rede de 6 mil profissionais da saúde. “Nós resgatamos aquele conceito antigo do ‘meu’ médico do trabalho”, diz o VP. “Só que no mundo digital.”

Quando o médico de família não resolve o caso remotamente, o paciente é encaminhado para um especialista. Para exames simples, como testes de dengue, Covid ou aferição de pressão, ele é direcionado para farmácias parceiras ou laboratórios. Com esse modelo, apenas 2% dos casos acabam no pronto-socorro, contra os 6% registrados antes da adoção do sistema.

Para o colaborador, a solução assegura acesso mais rápido ao atendimento e qualidade assistencial. Para a empresa, garante maior controle dos custos e da sinistralidade, com menos desperdício.

Garcez reforça um ponto central: o sistema reduz o uso excessivo do pronto-socorro para casos de baixa complexidade, que pressionam os custos sem melhorar a saúde do paciente.

“Imagine que 85% das pessoas que vão ao pronto-socorro físico estão lá por queixas de baixa ou média complexidade e não precisariam de um recurso hospitalar”, diz o executivo. “É exatamente esse espaço que o Hospital Conexa ocupa.”

O colaborador atendido pela Conexa conta ainda com um time de saúde com profissionais de enfermagem e outras áreas, que orienta os próximos passos do paciente e ajuda nos agendamentos, colocando o colaborador em uma jornada de cuidados com a saúde que incluem questões como sono, estresse, entre outras. Para empresas com operações espalhadas pelo país, isso tende a padronizar o atendimento sem a necessidade de manter estruturas médicas em cada unidade.

“A tendência é que a saúde corporativa migre cada vez mais para modelos integrados, em que tecnologia e coordenação clínica caminham juntas para gerar valor real, tanto para as empresas quanto para os colaboradores”, ressalta o CEO, Guilherme Weigert.

Para o colaborador, a solução assegura acesso mais rápido ao atendimento e qualidade assistencial. Para a empresa, garante maior controle dos custos e da sinistralidade, com menos desperdício

A Conexa afirma que seus clientes registram, em média, redução de 16% no sinistro per capita, queda de 20% na realização de exames e diminuição de 6% nas internações hospitalares.

Garcez cita também o uso de inteligência artificial para identificar sinais de sofrimento mental e direcionar os colaboradores para atendimento especializado. O mesmo vale para doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, que podem ser detectadas mais cedo.

A Azul, maior companhia aérea do Brasil em número de cidades atendidas, com 137 destinos, demonstra como as soluções da Conexa são eficazes. Com colaboradores distribuídos por todo o país e jornadas de trabalho variadas, a Azul sempre teve dificuldade para garantir assistência médica nos modelos tradicionais.

Com o Hospital Conexa, os funcionários passaram a ter acesso ao atendimento independentemente de onde estivessem. Em março deste ano, 75% das consultas eletivas solicitadas pela companhia foram realizadas de forma digital.

“É uma evolução consistente na forma com que cuidamos das nossas pessoas, com segurança, mais acesso, continuidade e qualidade assistencial”, diz Antonio Dibai, diretor de Pessoas da companhia aérea.