Construir uma operação de varejo que combine tecnologia de ponta, crédito acessível, logística eficiente e 1.042 lojas físicas numa única plataforma não é para qualquer um. O Grupo Casas Bahia alcançou esse feito e os resultados de 2025 estão aí para provar.

A Companhia encerrou o ano com GMV (volume bruto de vendas em todos os canais) de R$ 44,7 bilhões. Além de representar um salto de R$ 3,6 bilhões em relação a 2024, é o maior valor da história da Companhia.

“Nossa entrega em 2025 reforça a capacidade de execução da Companhia e consolida o Grupo Casas Bahia como referência no mercado de eletrodomésticos e móveis”, diz Renato Franklin, CEO do grupo.

Os números justificam o otimismo de Franklin. A margem EBITDA ajustada avançou pelo nono trimestre consecutivo, chegando a 9,8%. O fluxo de caixa livre totalizou R$ 2,15 bilhões no ano, mais que o dobro de 2024, e a relação Dívida Líquida / EBITDA ajustado recuou de 1,9x para 0,4x. Com menos pressão financeira, a Companhia chegou a 2026 preparada para crescer ainda mais.

O e-commerce avançou 21,7% no quarto trimestre, o quinto período consecutivo de alta. Mas o dado mais revelador não é o crescimento em si, mas de onde ele vem. As vendas de estoque próprio, o chamado modelo 1P, subiram 25,6%, o maior avanço em quatro anos.

Crescer no 1P é mais desafiador do que parece. Ao contrário do marketplace, onde terceiros fazem as vendas, esse modelo exige controle rigoroso de estoque, logística eficaz e gestão de preços muito mais apurada. A recompensa vem na forma de margens maiores e controle total sobre a experiência do cliente.

O marketplace também foi bem: alta de 16,1% no GMV e take rate (a comissão cobrada dos lojistas a cada venda) de 12,1%. Mais de 4,9 mil parceiros já aceitam o crediário como meio de pagamento, um diferencial que poucos concorrentes têm condições de replicar. E isso faz diferença.

No fim de 2025, a parceria com o Mercado Livre deu novo impulso à estratégia. Em poucas semanas, a Casas Bahia tornou-se o maior vendedor da plataforma em faturamento. No quarto trimestre, esse canal já respondia por quase 5% do volume total vendido, com TVs, linha branca e portáteis liderando as categorias.

O crediário sempre foi a alma do negócio da Casas Bahia. O que mudou é que ele foi digitalizado e passou a chegar a lugares onde nenhuma loja consegue estar. São mais de 4,7 mil municípios atendidos sem nenhuma presença física, cobrindo 94% das cidades brasileiras.

A carteira de crédito encerrou o ano em R$ 6,6 bilhões, um crescimento de 6,7% na comparação anual. A penetração do crediário digital chegou a 9% nas vendas próprias e 9,1% no marketplace, uma prova de que o instrumento funciona tão bem na tela quanto no balcão.

Dentro dessa engrenagem, o banQi cumpre um papel central. O aplicativo soma 8,8 milhões de contas abertas e movimentou R$ 15,6 bilhões em pagamentos em 2025. O dado mais revelador, porém, está no uso: os clientes acessam a plataforma mais de 60 vezes ao ano, um nível de recorrência típico de quem usa banco no dia a dia. No total, já são 24,9 milhões de downloads.

Em 2025, a Casas Bahia investiu R$ 212 milhões em tecnologia, um avanço de 34% em relação ao ano anterior. No quarto trimestre, mais de 70% do investimento total foi para projetos tecnológicos e logísticos.

A tecnologia, de fato, faz diferença na operação. O uso combinado de inteligência artificial, CRM avançado, precificação dinâmica e otimização logística elevou em 13% a eficiência operacional, medida pelo volume de vendas por funcionário. Em algumas categorias, os ganhos chegam a 30% por item vendido.

A IA está presente em várias frentes do negócio. O Bah.IA atua como copiloto de vendas nas lojas e no digital desde a Black Friday de 2024, enquanto o Zap Casas Bah.IA levou recomendações em tempo real para o WhatsApp na edição de 2025. A SofIA, por sua vez, cuida internamente de governança, risco e compliance.

A logística também foi redesenhada a partir das inovações tecnológicas. As 1.042 lojas físicas viraram pontos de retirada integrados a 24 centros de distribuição espalhados pelo país. Como resultado, 43% dos pedidos são entregues em até 24 horas e 58% em até 45 horas.

Nos últimos anos, a evolução da operação abriu espaço para novas frentes de negócios. O Casas Bahia Ads, braço de publicidade da Companhia, cresceu 65% em receita bruta em 2025. Marcas que não vendem na plataforma, mas querem acessar esse público, passaram a anunciar no ambiente digital da Companhia, gerando receita de alta margem sem interferir na experiência de quem está ali apenas para comprar.

“Encerramos 2025 com uma operação mais eficiente, uma estrutura de capital muito mais sólida e uma estratégia clara de crescimento nas categorias em que somos líderes. Isso nos coloca em uma posição muito mais forte para os próximos anos”, conclui o CEO.