Até pouco tempo atrás, a ideia de conversar com o próprio banco como se fala com um amigo soava como ficção científica. Hoje, esse cenário é cada vez mais real – e está transformando a maneira como milhões de pessoas lidam com o dinheiro.
É nesse contexto que o Inter lança a Seven, sua assistente de inteligência artificial. A proposta é ao mesmo tempo simples e engenhosa: o cliente diz o que quer fazer e a IA executa, mas a operação só é concluída após a palavra final do usuário.
“A Seven vem para marcar uma transição que estamos fazendo para um app baseado em agentes”, afirma Guilherme Ximenes, CIO do Inter. “A ideia é que o cliente tenha agentes de inteligência artificial ajudando em todos os produtos que o banco oferece.”
Em vez de abrir o aplicativo, procurar a função e cumprir etapas, o usuário pode apenas escrever – ou, em breve, falar – o que deseja. “É uma mistura do design tradicional com a conversa que as pessoas já se acostumaram a ter com ferramentas de IA”, diz Ximenes.
A Seven não é exatamente uma novidade dentro do Inter. Desde o início de 2025, a assistente já operava como agente conversacional para esclarecer dúvidas sobre os mais de 180 produtos e serviços do banco.
Nessa primeira fase, 11 milhões de clientes utilizaram a ferramenta. Só em 2026, foram 20 milhões de acessos. Antes, porém, a Seven se limitava a informar – orientava, esclarecia e indicava caminhos, mas não agia. Agora, a IA deixa de ser uma assistente de atendimento para se tornar um agente de IA proativo.
O que isso significa? Imagine fazer um Pix de R$ 100 para um amigo. Em vez de navegar por diversas telas do app, o cliente apenas escreve o que quer fazer. A Seven localiza o contato na lista de favoritos, monta a transação e aguarda a confirmação.
Outro exemplo que Ximenes gosta de citar: presentear alguém. O cliente pergunta à Seven o que o Inter tem para oferecer, e ela traz os gift cards disponíveis, ajudando a concluir a compra ali mesmo.

Um dos usos mais interessantes da Seven é também um dos mais simples: conversar com o próprio extrato. “Nesse caso, o extrato deixa de ser uma lista de lançamentos de despesas para se tornar uma fonte de insights”, diz Ximenes.
Quanto gastei de Uber nos últimos três meses? Há algum gasto no meu extrato que chama a atenção? As minhas despesas aumentaram ou diminuíram em relação ao mês passado? Existe algum gasto que foge do que é corriqueiro?
A IA cruza os dados e devolve respostas organizadas, muitas vezes revelando padrões que o cliente não tinha percebido. “Eu mesmo descobri quanto gasto com assinaturas de streaming”, diz Ximenes. “Parece algo simples, mas muda a forma como você enxerga seu dinheiro.”
Outras funcionalidades disponíveis são parcelamento de compras no cartão de crédito, reinvestimento de valores com resgate automático, atendimento e resolução de dúvidas frequentes e concierge de consórcio, entre outras.
Segundo Ximenes, a liberação para a base de mais de 43 milhões de clientes será feita de forma gradual até chegar a todos os usuários, independentemente de saldo mínimo, tempo de conta ou qualquer outro critério.
O diferencial competitivo da Seven está na forma como foi construída. A assistente foi desenhada para absorver, de forma progressiva, capacidades vindas de qualquer vertical do banco. Banking, shopping, crédito, investimentos, seguros, serviços globais e benefícios – cada área está construindo agentes específicos que serão integrados à Seven.
No horizonte próximo, a Seven passará a realizar alteração de limites, contratação de crédito, gestão de investimentos – incluindo sugestões de aportes calibradas ao perfil do investidor –, suporte a sinistros e uso do programa de pontos. A expectativa é que, com o tempo, a maior parte das operações realizadas no app possa ser feita por meio de conversa com a Seven.
O próximo passo da Seven prevê que a IA antecipe as necessidades do cliente, em vez de apenas reagir aos seus pedidos. A Seven vai lembrar o usuário de um aporte recorrente para a aposentadoria no início do mês, ou perguntar se ele quer repetir um Pix que costuma fazer. Quando um novo boleto for cadastrado no CPF do cliente, a Seven avisa e ajuda a pagar.
“É o banco deixando de ser um lugar onde você vai buscar coisas e passando a ser um agente que trabalha por você”, diz o CIO.
Por que Seven? O número 7 acompanha a trajetória do Inter desde o início. É o seu código no sistema bancário brasileiro (077), aparece em endereços históricos da empresa e acabou virando uma espécie de marca cultural interna. Soma-se a isso o fato de o banco operar em sete grandes verticais de negócio, todas integradas na plataforma.
A Seven é mais um capítulo na trajetória de pioneirismo do Inter, que foi o primeiro banco 100% digital do Brasil, em 2015, antecipando uma onda que o mercado levaria anos para acompanhar. Depois vieram o primeiro marketplace integrado a um app bancário, em 2019, e o Forum, a primeira rede social financeira, em 2025.
Hoje, o banco funciona como um Super App Financeiro Global, com mais de 43 milhões de clientes no mundo, carteira de crédito de R$ 48,2 bilhões, patrimônio líquido de R$ 10,4 bilhões e ativos totais de R$ 98,6 bilhões.
“Sempre estivemos muito próximos das ondas tecnológicas”, afirma Ximenes. “E a inteligência artificial generativa não é um hype, é uma transformação que veio para ficar.”