Quem vê Guilherme Benchimol, sócio-fundador da XP Inc., como um empreendedor de sucesso sequer imagina que ele foi um aluno nota 6 ou um jovem que não tinha controle emocional ao ser derrotado no esporte.
Em entrevista ao Bravamente, programa do surfista de ondas grandes Carlos Burle, em parceria com o NeoFeed, Benchimol contou que foi justamente a competitividade do esporte que o ajudou a moldar sua mentalidade, redefinir sua relação com o fracasso e construir sua base emocional - que mais tarde levaria à criação de uma das maiores plataformas de investimentos do País.
Durante a gravação, Burle levou o empresário para surfar no Rio de Janeiro e experimentar o tow-in, técnica usada em ondas grandes com auxílio de jet ski. A experiência serviu como pano de fundo para a conversa sobre risco, disciplina e tomada de decisão sob pressão - temas centrais tanto no surfe extremo como no empreendedorismo.
Na adolescência, o fundador da XP sonhava ser tenista profissional e chegou a competir no Rio de Janeiro. Ele próprio descreve aquele período como distante do perfil disciplinado que construiu depois.
“Eu era aquele aluno nota seis, nota sete. Era bom só de matemática. Só queria fazer esporte, queria ser tenista e fazia muita bobagem”, afirmou.
A virada aconteceu aos 15 anos, quando decidiu comunicar ao pai que queria abandonar o colégio. “Falei: ‘pai, decidi que eu quero abandonar o colégio’. Ele disse: ‘filho, tudo bem que você quer abandonar o colégio. Mas, hoje, você vai abandonar o tênis’, contou.
Apesar do choque, Benchimol diz que o esporte competitivo foi determinante para sua formação. Hoje, ele mantém o hábito de acordar cedo e se exercitar diariamente como estratégia de autocuidado diante da pressão da rotina executiva.
“O esporte competitivo na adolescência, na infância, aliás, é a melhor maneira de você mostrar para o seu filho como é a vida de verdade. Porque a vida é dura.”
Segundo Benchimol, o esporte também foi essencial para mudar sua relação com o fracasso. Se antes a derrota vinha acompanhada de frustração, com o tempo passou a ser encarada como uma ferramenta de evolução.
“A derrota é um presente, desde que você seja humilde. Ela te deixa mais inteligente”, afirmou.
À frente de uma empresa avaliada em US$ 10,7 bilhões, Benchimol diz que sua visão de sucesso mudou ao longo do tempo. Se aos 20 anos ele associava sucesso à independência financeira e, depois, à construção de um grande negócio, atualmente o conceito está mais ligado a impacto e legado.