Abrir mão da carreira no seu auge para recomeçar do zero em outro país não é uma decisão comum. Foi exatamente esse movimento que Marcello Serpa, um dos criativos brasileiros mais premiados da história, decidiu fazer ao deixar o comando da AlmapBBDO e se mudar para o Havaí com a família.

Em entrevista ao Bravamente, programa apresentado pelo surfista de ondas gigantes Carlos Burle que tem apoio do NeoFeed, Serpa contou que a decisão nasceu de um incômodo com o conforto que sua trajetória profissional havia alcançado.

Depois de décadas acumulando campanhas premiadas e reconhecimento internacional, ele percebeu que poderia continuar vivendo da própria reputação, algo que, para ele, começava a perder sentido. “Aquilo começou a me irritar um pouco. Qual é a graça disso?”, disse.

A possibilidade de passar anos apenas administrando o próprio nome, sem necessariamente criar algo novo, foi o que o impulsionou a deixar a rotina corporativa e se mudar para o Havaí, onde poderia testar seus limites novamente. A ideia era colocar-se em um ambiente de desconforto, tanto no surfe, enfrentando ondas maiores, quanto na arte, dedicando-se à pintura de forma mais intensa.

Serpa viveu no arquipélago do Pacífico por alguns anos e voltou a morar em São Paulo há cerca de três anos. O episódio do Bravamente foi gravado justamente no Havaí e, antes da conversa, Serpa e Burle passaram a manhã surfando juntos, ao lado de amigos e familiares.

O publicitário contou que sempre procurou seguir aquilo que desperta entusiasmo verdadeiro. Para ele, a chave das escolhas profissionais e pessoais está na paixão pelas coisas que se faz, e o pior erro é deixar passar oportunidades por medo ou por seguir expectativas externas. “Não importa se deu errado. Eu tentei o que fazia sentido para mim”, disse.

Serpa também relembrou a relação antiga com o surfe, que começou ainda na infância no Rio de Janeiro, quando ele e o irmão atravessavam a cidade de bicicleta para pegar ondas no Arpoador.

O contato com o mar e com a natureza sempre funcionou como uma forma de equilíbrio pessoal, o que, de certa forma, também influenciou sua forma de pensar criatividade e carreira. Para ele, permanecer por tempo demais em ambientes previsíveis pode reduzir a curiosidade e a disposição para experimentar.