Convidado como pré-candidato à Presidência da República ao CEO Conference, evento anual do BTG Pactual, o senador Flávio Bolsonaro buscou se posicionar como a principal escolha da direita para enfrentar a tentativa de reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva.

Filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio recebeu a bênção do pai para concorrer ao governo, frustrando aqueles que esperavam apoio ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, nas eleições presidenciais.

O resultado tem sido uma direita, até agora, fragmentada, ainda que Flávio venha ganhando força nas pesquisas. Na pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta-feira, 11 de fevereiro, a diferença entre Flávio Bolsonaro e Lula caiu de 10 pontos percentuais, em dezembro do ano passado, para cinco, em um eventual segundo turno.

“Todo mundo estava apostando que o Tarcísio seria o candidato indicado pelo presidente Bolsonaro, porque era quem aparecia melhor nas pesquisas. Mas, nesses dois meses, algumas ou várias pesquisas já mostram que tenho conseguido diminuir um pouco aquela desconfiança, aquela preocupação que todo mundo tinha de perder para o PT”, disse Flávio Bolsonaro.

A uma plateia de investidores, o pré-candidato do PL repetiu promessas de um candidato pró-mercado, incluindo o corte de gastos e impostos. Bolsonaro, no entanto, não detalhou por onde deve começar nem os setores que devem ser alvo do “tesouraço” proposto.

Nos planos, afirmou, estão a redução da carga tributária, da burocracia, de cargos em comissão e do que classificou como “gastos em excesso que existem em várias áreas, como na publicidade”.

“Só que o mais importante: eu não vou dar detalhes do que eu vou propor ou onde eu vou cortar, por exemplo, porque isso é um castelo de cartas. Você não pode tirar uma carta. Eu vou falar que eu vou reduzir o imposto aqui, tem que saber qual vai ser o impacto disso em determinado segmento.”

De acordo com o pré-candidato, esses detalhes mais técnicos estão sendo analisados por um “time” que está ajudando a formular a proposta. “O mais importante que temos que voltar a ter no Brasil é previsibilidade”, completou.

Flávio Bolsonaro também não entrou em detalhes sobre os nomes por trás de seu plano econômico e se recusou a dar uma previsão para anunciar o nome escolhido para o Ministério da Fazenda, se limitando a dizer que será um economista e que será “muito melhor” que o atual ministro Fernando Haddad.

“Podem ter certeza que vai ser alguém que vai dar previsibilidade para o nosso país e que vai fazer com que o Brasil seja novamente um ambiente atrativo para quem queira empreender.” Segundo ele, “tem que ser, no mínimo, igual ao Paulo Guedes [ex-ministro da Fazenda de Jair Bolsonaro]”.

O senador também buscou se esquivar ao ser questionado sobre a continuidade dos planos de privatização iniciados por seu pai. Disse que pretende privatizar 95% das estatais, mas que manterá participação estatal em áreas consideradas estratégicas.

"Não dá para privatizar tudo", disse. "Mas, obviamente, onde puder privatizar, nós vamos privatizar."

Uma das áreas que Flávio Bolsonaro não quer entregar totalmente à iniciativa privada é a de terras raras, usadas na fabricação de chips e baterias e que, segundo ele, “estão na moda agora”.

“Temos que ter um investimento público aqui. Não estou falando que vou criar uma estatal para isso. Óbvio que não. Mas é uma questão estratégica que demanda uma parceria público-privada, porque não temos tecnologia para fazer a devida exploração, refino e transformação disso em consumo.”

O senador disse que buscará ajuda sobre o tema para definir os detalhes do projeto, mas que o assunto será tratado com “atenção” por seu eventual governo, dada sua importância geopolítica.