Recentemente, a fundadora e CEO do ecossistema de design LZ, a carioca Anny Meisler foi convidada para participar de um podcast na B3, em São Paulo. Como sempre faz, ela observou tudo com atenção; ouviu a todos com interesse. E o que começou como uma conversa despretensiosa, momentos antes do início da gravação, virou um negócio.
Poucos dias depois da gravação do podcast, a Bolsa de Valores e a plataforma Steal the Look realizariam um evento, mas faltava o mobiliário. Em menos de 72 horas, Anny montou o mobiliário do encontro. Mais do que isso: a B3 comprou todas as peças da LZ para seus escritórios. Como costuma dizer a empresária, “a oportunidade encontra quem está preparado”. E ela está sempre pronta.
Aos 41 anos, a empresária comanda hoje um grupo de design, focado em curadoria, desenvolvimento de produtos e mobiliário completo, com atuação em cinco frentes: corporativa (LZ Corp, desde 2009), varejo (LZ Studio, 2012), infantil (LZ Mini, 2017), arte (LZ Arte, 2018) e planejados (LZ Sob Medida, 2023).
Agora, ela acaba de desembarcar a LZ na capital paulista, com um escritório boutique para arquitetos e incorporadoras, um espaço dedicado à cocriação.
São Paulo é hoje o epicentro de um boom imobiliário — mais de 70 mil novos imóveis por ano, crescimento médio anual de cerca de 10% no segmento residencial, líder no país em lançamentos e vendas de médio e alto padrão e responsável por 40% de todo o mercado nacional. “É, portanto, a maior oportunidade de expansão da história da LZ”, diz Anny, ao NeoFeed.
No portfólio de clientes da LZ, estão gigantes dos mais diversos setores. São construtoras e incorporadoras, como Cyrela, Gafisa, Tegra, Mozak, Multiplan e BRMalls. Empresas do mercado financeiro, a exemplo de BTG Pactual, XP, Opportunity e B3. Ou do setor de saúde, como Rede D’Or, Casa de Saúde São José e o Hospital São Vicente.
A lista é grande e inclui ainda FGV e Escola Eleva (educação); Globo e Record (comunicação); Marriott, Belmond e Fasano (hotéis); Coca-Cola, TBG e o megaconjunto residencial Ilha Pura, na Barra da Tijuca, além de escritórios de arquitetura e design.
O desenvolvimento do retrofit do Clube de Regatas do Flamengo é exemplar do cuidado e dedicação de Anny. Para renovar as instalações do time carioca, ela foi para a Espanha conhecer as instalações do Real Madrid — um dos melhores do mundo e, como diz a torcedora do Fluminense, “onde está fervendo”.
“Eu quero oferecer mais do que o cliente espera de mim”, afirma Anny. Ela quer ir além da curadoria de mobiliário e decoração: quer ser curadora de lifestyle. Para a diretoria do Flamengo, está indicando até os restaurantes.
Quando Anny diz que “a mágica acontece quando você deixa o cliente ser o protagonista”, não é um slogan: é memória de família. É a escuta como legado.
Da mãe, Claudia, as histórias de uma alta executiva de uma empresa de pecúlio, na liderança de equipes majoritariamente masculinas — um tempo em que chefes mulheres eram ainda mais raras do que hoje.
Do pai, Mario, dono de uma indústria de piscinas de fibra de vidro, Anny herdou o entusiasmo pelo empreendedorismo. Menininha de tudo, aos 6, 7 anos, ela sempre o acompanhava ao trabalho.
“Anny, para você vai ser mais difícil”, dizia ele. “Eu tenho um irmão mais velho e meu pai não fazia isso com o filho”, lembra a empresária. “Ele fazia isso comigo. Foi genial.”
Essa herança tem permitido à empresa crescer de forma consistente ao longo dos últimos 16 anos. A empresária vem intensificando a atuação do grupo em design autoral, produzindo peças exclusivas por meio de um ecossistema de aproximadamente 20 fábricas parceiras, cada uma especialista em um segmento — estofados, marcenaria e metal, por exemplo.
“Em parte dessas operações, a LZ faz aportes diretos. Uma forma de ampliar a capacidade produtiva, garantir exclusividade, regularidade e velocidade e modernizar processos”, afirma Anny. “Esse modelo híbrido, combinando curadoria e investimentos industriais, tem sido decisivo para sustentar nosso crescimento.”
Um marco desse movimento é a linha Tropicando, da LZ Mini. “A coleção representa exatamente o futuro da LZ: linhas próprias, escaláveis e conectadas ao comportamento do mercado”, afirma Anny. “E isso é só o começo. Já temos outras em desenvolvimento.”
Enquanto crescia na fábrica de seu pai e cursava administração, Anny ouviu de um mestre de obras que um dos maiores entraves no final de uma construção era o mobiliário. Um monte de fornecedor, cada um trabalhando à sua maneira. O problema era a logística. E lá foi ela estudar o assunto.
Formada, trabalhou por três anos na TIM. Só então partiu para o próprio negócio. E, em 2009, nasceu a LZ, cujo nome foi inspirado na palavra “lazer”.
Mas o machismo não dá trégua. Frequentemente, quando ela comenta sobre os negócios, querem logo saber: "E os filhos?". "Não fazem essa pergunta para os homens”, indigna-se a mãe de Nick, de 13 anos, Tom, de 10, e Kiki, de 8.
É também comum que o marido, Rony Meisler, seja cumprimentado pelas conquistas profissionais da empresária. Outro dia, ele foi ao Flamengo e, em tom de pilhéria, ouviu: “Como é que você, vascaíno, mobiliou o Flamengo?”. Ao que ele respondeu: "Cara, eu não tenho nada a ver com isso, não". É tudo coisa de Anny — e só dela.