A corretora de seguros Alper anunciou a compra da Siena Seguros, especializada em seguro de vida. O acordo - cujos termos financeiros não foram revelados - consolida a quarta aquisição da companhia em 2025, em um movimento que deve ultrapassar 10 M&As e R$ 400 milhões em investimentos no ano.
Fundada em 1992 em São Paulo e com filiais no Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Recife, além da capital paulista, a Siena é especializada em carteiras para associações de classe e de servidores públicos, em um modelo de seguro consignado, uma modalidade que não era oferecida pela Alper.
“A carteira de seguro de vida é muito importante, porque é recorrente. Compramos a Siena por causa de seu know-how e o potencial enorme de crescimento, principalmente entre entidades de classes”, diz André de Barros Martins, vice-presidente sênior de benefícios da Alper Seguros, em entrevista ao NeoFeed. “É um recurso garantido, porque o seguro é descontado na folha de pagamento.”
Com 190 mil vidas administradas, a Siena vai reforçar o portfólio do setor de benefícios da Alper, que corresponde a 45% do faturamento total da companhia e hoje conta com 1,3 milhão de vidas nos seguros saúde, vida e odontológico. Desse total, 250 mil são de seguros de vida.
Além do setor de benefícios, a Alper tem, entre os principais segmentos atendidos, seguros de cargas (20%), seguros corporativos (16,7%) e seguros individuais (9,7%).
Com a nova aquisição e a partir da entrada em Recife, a Alper passa a ter 29 escritórios físicos no Brasil. As outras unidades da Siena serão incorporadas às já existentes da Alper. A Siena, que passará a ter a bandeira da Alper, hoje administra R$ 164 milhões em prêmios.
Mantendo a estratégia de trazer para o grupo os antigos donos das empresas adquiridas, o fundador da Siena e atual CEO, Antônio Marcos de Oliveira, passará a ser diretor comercial de vida da Alper.
Com os quatro M&As realizados pela companhia em 2025, o vice-presidente diz que, do total separado para as compras, R$ 150 milhões já foram aportados, o que representa quase 40% do montante reservado de R$ 400 milhões. “Minha percepção é de que, no segundo semestre, vamos passar desse valor, já que estão surgindo boas oportunidades.”
No fim de 2024, o plano inicial da Alper era de alcançar a marca de R$ 5 bilhões em prêmios. Mas, segundo Martins, essa meta já foi batida e agora a empresa trabalha para chegar em R$ 6,3 bilhões até dezembro. “Era uma análise conservadora que tínhamos. Mas temos notado esse crescimento acima do planejado, com vendas aceleradas em vários segmentos.”
O vice-presidente conta que a Alper já negocia a quinta aquisição do ano, que deve ser concretizada em maio, em um segmento não revelado. Martins afirma, porém, que desta vez não será da área de benefícios. “A gente não compra carteira e sim a oportunidade de ampliar o negócio que essas empresas podem nos oferecer. Estamos caminhando para confirmar uma aquisição por mês”, diz o VP.
Mesmo com o forte volume de aquisições, Martins afirma que a Alper registra crescimento orgânico, com expansão de vendas e ampliação geográfica de atuação. Para 2025, a alta no segmento de benefícios deve chegar a 23%, sem levar em consideração as novas compras.
O ponto de atenção para este ano está no volume de seguros ligados ao agronegócio, que não deve avançar. “O desafio é manter a capacidade do risco por causa das dificuldades de previsão provocadas pelas mudanças climáticas.”
Além da Siena, a Alper comprou em 2025 a Ducais, de Belo Horizonte (benefícios); a Humani, de Osasco (benefícios) e a Reolon, de Lucas do Rio Verde, Mato Grosso (agronegócio).
Em 2023, a Alper, listada em bolsa na época, foi vendida para a gestora Warburg Pincus, que fechou o capital e pagou R$ 850 milhões por 80% da companhia. Os 20% restantes estão divididos entre a gestora Axxon Group, o CEO Marcos Couto e o VP André de Barros Martins.