A conselho de administração da Westwing, companhia de casa e decoração, está propondo uma redução de capital de R$ 60 milhões, medida que precisa ser aprovada por uma assembleia geral extraordinária.

Com R$ 121 milhões em caixa, a Westwing é um exemplo de empresa que vale menos do que seu caixa. Atualmente, seu valor de mercado é de R$ 74,6 milhões. Em seu IPO, em 2021, quando levantou R$ 1,1 bilhão, a companhia foi avaliada em R$ 1,55 bilhão.

A decisão também faz parte de um movimento que sinaliza o início da virada da página de sua reestruturação. No quarto trimestre, divulgado na sexta-feira, 20 de março, a empresa registrou geração de caixa de R$ 19,4 milhões e voltou a crescer em volume de vendas (GMV) pela primeira vez desde 2022.

A decisão de reduzir o capital acontece após a entrada de novos investidores, que ficaram com a fatia de 31,87% que pertencia à Mastercard, após a execução de garantia fiduciária devido à inadimplência do Will Bank.

Entraram no capital da Westwing a Oriz, que passou a deter 32,1%, a HIX Capital (8,3%) e a BlueOak (6,6%). O NeoFeed apurou que a Leblon Equities também comprou uma participação inferior a 5%.

Ao mesmo tempo, André Machado, que assumiu o comando da Westwing em agosto de 2025, vem implementando uma nova estratégia que tem levado a companhia a reduzir sua queima de caixa. Em 2025, o consumo de caixa foi de R$ 5,6 milhões, representando uma melhora de R$ 6,8 milhões em relação a 2024.

“A empresa chegou a um ponto em que o caixa deixou de ser um colchão defensivo e passou a ser um ativo estratégico. Isso nos permite ajustar a estrutura de capital de forma responsável”, diz Machado, ao NeoFeed.

Quando André Machado assumiu a operação da companhia, a Westwing ainda operava um negócio essencialmente de varejo com mentalidade de empresa de tecnologia, sem uma proposta de valor clara para o consumidor.

“O André fez um saneamento profundo. Simplificou o portfólio, ajustou custos e trouxe o negócio para perto do breakeven”, afirma Gustavo Heilberg, sócio da HIX Capital.

Entre as medidas, Machado enxugou o portfólio, eliminando categorias fora do core. Ele também reduziu o número de SKUs e priorizou um sortimento mais fixo, reforçando a marca própria, a Westwing Collection, para ganhar margem e diferenciação.

Os produtos de marca própria cresceram 63,6% no quarto trimestre, quando comparados ao mesmo período do ano passado. No acumulado de 2025, o GMV dessa categoria avançou 26,3%, com ganho de 4,6 pontos percentuais de participação.

Outras medidas incluíram a mudança da estratégia logística, com maior uso de estoque próprio para reduzir prazos de entrega e melhorar a experiência no site.

“Prazo é um grande fator de conversão. Se você quer ser relevante no varejo, precisa entregar melhor e mais rápido”, diz o CEO, ao explicar por que a logística passou a ser tratada como parte central da estratégia.

Em 2025, as ações da Westwing, cotadas a R$ 6,72, acumulam valorização superior a 20%. Em 12 meses, os papéis sobem mais de 30%. Desde o IPO, no entanto, os papéis já perderam mais de 90% de seu valor de mercado.