Líder no mercado de massas e biscoitos no Brasil, a M. Dias Branco encerrou 2025 com o “bolo em crescimento”. A companhia registrou alta em todos os indicadores. A receita no ano foi de R$ 10,4 bilhões, valor 8% acima do registrado em 2024. O lucro líquido, de R$ 660 milhões, subiu 2%.

Em todos os trimestres de 2025 a receita da companhia cresceu. Com isso, a M. Dias Branco também avançou no market share nos principais segmentos, especialmente em relação ao trimestre anterior. Em biscoitos, a empresa tem hoje 31,8% do mercado. Em massas, tem 27,5%, e em farinha, 12,2%.

O resultado reflete um ciclo de mudanças desenhado pela companhia, que inclui a implementação de uma nova área comercial e uma melhor equação entre a receita e as despesas.

“Tivemos um novo time da área comercial, com mais possibilidades. Isso ajudou a vender mais. Conseguimos alcançar um patamar de receitas controladas e tivemos queda no custo. Esse conjunto de fatores nos ajudou a alcançar este resultado”, diz Fabio Cefaly, diretor de novos negócios e relações com investidores da M. Dias Branco, em entrevista ao NeoFeed.

Outro ponto considerado crucial pela companhia foi o crescimento no volume de produtos. No ano passado, a empresa vendeu 1,8 milhão de toneladas, 3,1% a mais do que o registrado em 2024 (1,75 milhão). “Retomar o crescimento de volume era justamente o que a gente queria”, diz Cefaly.

Com o aumento no volume, a companhia conseguiu também aumentar a utilização dos ativos, o que contribui para a redução dos custos fixos da empresa. O nível de utilização da capacidade produtiva chegou a 60,4% em 2025, contra 58,8% de 2024.

A única linha do balanço da companhia que ficou abaixo do previsto foi o Ebitda, com R$ 1,1 bilhão no período, 8% a menos do que o ano anterior. Segundo o executivo, a razão está na demora no repasse da queda do dólar e da cotação internacional do trigo e do óleo de palma.

“A gente não viu toda essa redução de custos nos resultados porque a gente tem estoque e tem hedge. A tendência é que isso se reflita no começo do ano, no balanço do primeiro trimestre”, afirma o diretor da M. Dias Branco.

Outro fator que explica este número abaixo da avaliação de mercado é que, em 2025, a companhia realizou despesas com bônus para funcionários, o que não aconteceu em 2024.

Com boa saúde financeira, a companhia fechou o ano com geração de caixa de R$ 1,4 bilhão, 138% acima do reportado em 2024. A empresa terminou o ano com caixa líquido de R$ 554 milhões, revertendo uma dívida líquida de R$ 25 milhões no quarto trimestre de 2024.

Isso significa que, se a companhia decidir pagar todas as suas dívidas hoje, ainda sobram mais de R$ 500 milhões no caixa. Com isso, a M. Dias Branco voltou a registrar alavancagem negativa. Ela fechou o ano com menos 0,5 vez na relação dívida líquida versus Ebitda.

Em 2025, a M. Dias Branco não realizou aquisições. Mas, segundo o executivo, o cenário de possíveis M&As não está descartado para 2026. Na prática, depende de uma boa oportunidade e de um preço atrativo. "Estamos com um balanço muito sólido para fazer movimentos inorgânicos. Mas precisam ser conectados com a nova estratégia. Se surgir, a empresa está preparada.”

Segundo Cefaly, a companhia tem observado com atenção o movimento provocado pelo aumento da penetração das canetas emagrecedoras no mercado nacional, o que, em tese, poderia impactar vendas de biscoitos. Mas, para ele, ainda não há impacto.

“Estamos estudando este assunto. Hoje, o mercado de biscoitos e massas no Brasil ainda não sentiu. Não vamos nem subestimar nem superestimar. Nada de modo ‘negação’ nem ‘apocalíptico’”, afirma ele.

“Estamos acompanhando de forma técnica. Já temos preparado o portfólio com categorias saudáveis e colocando mais proteínas nos itens. Já estamos trabalhando para nos antecipar. E tem a questão de renda, já que a caneta é cara. Sobre o futuro, a gente está atento”, complementa.

No acumulado de 12 meses, as ações da M. Dias Branco registraram alta de 16,4% na B3. A companhia está avaliada em R$ 8,8 bilhões.