O Citi Brasil registrou um lucro líquido recorde em 2025, com os chamados negócios recorrentes sustentando a atividade do banco, enquanto o mercado de capitais começa a dar sinais de que voltará a colaborar com os resultados.
A subsidiária do banco americano divulgou nesta quarta-feira, 11 de fevereiro, que obteve no ano passado um lucro de R$ 2,9 bilhões, aumento de 28% em relação a 2024. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROAE) subiu de 18% para 22%.
“Apesar dos desafios geopolíticos e locais, ficamos bastante satisfeito com o resultado que entregamos”, diz Marcelo Marangon, CEO do Citi Brasil, ao NeoFeed. “Nosso business recorrente aumentou substancialmente, fruto dos investimentos que estamos fazendo.”
Os negócios recorrentes do Citi Brasil são os serviços bancários voltados aos clientes, como gestão de liquidez, câmbio, custódia, derivativos, capital de giro e financiamento a comércio exterior.
Segundo Marangon, que está prestes a deixar o comando das operações brasileiras para assumir como co-head global de corporate banking do Citi, os investimentos em aumento de equipe e em tecnologia nessas frentes ajudaram a expandir a intermediação financeira.
Isto, por sua vez, colaborou para adicionar mais de R$ 700 milhões na margem financeira líquida, que pela primeira vez passou dos R$ 7 bilhões. Os depósitos subiram 15% em 2025, totalizando R$ 93 bilhões.
Para 2026, a expectativa é de que a frente recorrente ganhe o reforço da parte “episódica”, principalmente das operações no mercado de capitais, diante dos sinais de que o mercado está reabrindo para IPOs e follow ons.
No ano passado, a parte de banco de investimentos (IB) viu uma “participação sólida” das operações de captação externa. Das 35 emissões internacionais, o banco participou de 22 delas, com o volume emitido totalizando US$ 24,6 bilhões.
O Citi também esteve envolvido em cinco M&As, totalizando R$ 36,2 bilhões, e participou de um follow on até novembro, somando R$ 72 milhões, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).
O ano começou bem para o Citi, que liderou o IPO do PicPay e é parte do sindicato coordenando a operação do Agibank. A expectativa é de participar de mais operações, inclusive follow ons, que no ano passado responderam a questões específicas, como reestruturação de capital.
“Entramos em 2026 com um ânimo na realocação das carteiras globais. Lideramos o IPO da PicPay e vimos o apetite do investidor estrangeiro, se posicionando em mercados emergentes”, diz Marangon. “Investimos muito, tanto em equipe local, quanto na global.”
Já na frente de crédito, o Citi Brasil pretende manter a postura conservadora de 2025, mesmo com o Banco Central (BC) começando a cortar a Selic. A carteira de crédito encerrou praticamente estável, em R$ 53 bilhões.
Marangon destaca que essa postura fez com que o índice de atraso acima de 90 dias permanecesse estável, representando 0,8% da carteira, garantindo sua qualidade e pronta para lidar com qualquer cenário de crédito.
“A taxa de juros ainda vai ficar muito elevada, o que leva a uma consistência na disciplina de crédito”, afirma. “Vamos nos manter seletivos em 2026, revisando essa estratégia à medida que a gente vê essa taxa de juros caindo, uma disciplina fiscal melhor sendo implementada, maior visibilidade de eleições e o cliente se posicionando nas suas respectivas indústrias.”
Os ativos totais somaram R$ 193 bilhões em 2025, estáveis em relação ao ano anterior, influenciados pelas alterações nos critérios contábeis introduzidos pela Resolução nº 4.966/2021 do CMN, que passaram a ser aplicáveis às operações de câmbio a partir de janeiro de 2025.