O Citi decidiu ir na contramão do consenso do mercado para o setor de saúde, preferindo as ações da Hypera em vez da RD Saúde, adotando inclusive um tom mais cauteloso em relação à rede de farmácias.
A equipe liderada pelo analista Leandro Bastos elevou a recomendação para as ações da Hypera de neutro para compra e o preço-alvo de R$ 26 para R$ 28. Ao mesmo tempo, a recomendação para RD Saúde foi cortada de neutro para venda e o preço-alvo reduzido de R$ 26 para R$ 18.
A avaliação é de que, enquanto a Hypera apresenta boas perspectivas de resultados para o ano e oportunidade de ganho com o lançamento de seus próprios medicamentos à base de semaglutida (GLP-1), a RD Saúde precisa lidar com a concorrência do e-commerce e questões relativas à produtividade.
“Nossa tese otimista [para a Hypera] é bastante direta, apoiada na combinação de maior confiança na trajetória do sell-out, em meio a condições de capital de giro mais restritas; impulsos para a margem bruta oriundos do real mais valorizado (cerca de 40% dos custos estão ligados ao dólar); e melhora nos fundamentos do fluxo de caixa”, diz trecho do relatório.
Os analistas do Citi destacam que o desempenho da Hypera no começo do ano permite esperar um bom resultado, ainda que seja preciso cautela.
Segundo eles, considerando que o primeiro trimestre responde por 20% das vendas anuais, e levando em conta o desempenho visto, com a receita atingindo R$ 2 bilhões, é possível projetar uma receita ao fim do ano de R$ 10 bilhões, montante 9% acima do esperado.
Com base nesses pontos, os analistas do Citi elevaram as projeções para o lucro líquido em 2026 e 2027 em 4% e 5%, respectivamente, para R$ 1,9 bilhão e R$ 2,1 bilhões.
Eles apontaram ainda que a semaglutida pode impulsionar os resultados da Hypera neste ano e no próximo, se a companhia conseguir as licenças regulatórias. Nos cálculos dos analistas, considerando cenário conservador, com market share de 2,5% neste ano e 5% no próximo, os remédios para emagrecimento podem elevar em 3% e 5% o Ebitda previsto para 2026 e 2027, respectivamente.
“Com a ação negociada a um P/L de 7,2 vezes para 2026 e 6,5 vezes para 2027 (ou de 10,1 vezes e 8,7 vezes, considerando um cenário mais conservador), o valuation [da Hypera] nos parece barato”, diz trecho do relatório.
No caso da RD Saúde, que por muito tempo dominou as recomendações para o setor, os analistas do Citi dizem que há motivos para preocupação com a chegada das plataformas de e-commerce na venda de medicamentos, ao deslocar tráfego e aumentar a penetração do digital, onde as margens são menores.
Segundo eles, as vendas online como percentual das vendas brutas do varejo passaram de 11,1% em 2022 para 27,6% nos últimos 12 meses encerrados no primeiro trimestre, pesando sobre a alavancagem operacional das empresas.
Essa situação veio acompanhada de desempenho mais baixo das vendas “mesmas lojas” de unidades maduras, cujo crescimento ficou abaixo da inflação. Eles apontaram ainda dúvidas sobre se a RD conseguirá obter mais ganhos com o GLP-1, considerando a forte base de comparação.
“Apesar do crescimento consistente da receita ao longo dos anos, incluindo aumento de mais de 20% apoiado no boom dos medicamentos de GLP-1 desde 2024, a companhia não conseguiu diluir as despesas operacionais, prejudicada pelo desempenho de funcionários por loja e pela implementação de programas de benefícios”, diz trecho do relatório, que também destaca impactos negativos que a pauta da escala seis por um pode ter na empresa.
A situação levou os analistas do Citi a cortarem suas previsões para o lucro da RD em 2026 e 2027 em 7% e 6%, respectivamente, para R$ 1,5 bilhão e R$ 1,8 bilhão.
Por volta das 13h28, as ações da Hypera subiam 4,30%, a R$ 23,54. Os papéis da RD Saúde avançavam 0,41%, a R$ 19,57.
A Hypera é avaliada atualmente em R$ 16,5 bilhões, com as ações acumulando alta de 1,95% no ano. O market cap da RD Saúde soma R$ 34,3 bilhões, enquanto os papéis recuam 17,4% no ano.