Nascido em plena pandemia com o intuito de ajudar pequenos empreendedores a enfrentar as consequências financeiras do lockdown, tendo também papel fundamental no apoio aos afetados pelas enchentes do Rio Grande do Sul em 2024, o fundo de impacto Estímulo fechou 2025 com mais de R$ 400 milhões em empréstimos e planeja ampliar sua geografia em 2026.
O objetivo é expandir sua atuação nas regiões Norte, em áreas afetadas por emergências climáticas e também entre mulheres empreendedoras, buscando alcançar públicos e territórios onde considera que terá impacto relevante na melhoria das condições.
Com dois fundos abertos, o Estímulo prepara um fundo específico para a Amazônia, até então atendida pelo Fundo Brasil. Para esse veículo, a ideia é captar recursos de bancos de desenvolvimento, o que deve tornar o processo mais demorado devido às aprovações necessárias.
“Nossos dois primeiros fundos foram levantados em momentos de emergência, quando muito capital doado por famílias e empresas chegou rápido”, diz Lucas Conrado, diretor executivo do Estímulo, ao NeoFeed.
“Esse terceiro veículo chega mais estruturado, com nossa expertise, mas demora para captar. Então, 2026 será para estruturarmos esse modelo, principalmente com foco em bancos de desenvolvimento”, complementa.
Criado em 2020 com o apoio de empresários como Abílio Diniz, Luciano Huck e Ticiana Rolim Queiroz, o Estímulo pretende elevar em 23% o volume de originação até o fim do ano, mas de forma seletiva.
“Estamos pensando em como olhar nosso AuM [ativos sob gestão], não em termos de aumentá-lo demais, mas em termos de originação, para que seja mais qualificada, emprestando para quem e onde somos críticos para os empreendedores”, afirma Conrado.
O aumento previsto para 2026 representa emprestar mais R$ 94 milhões a micro e pequenos empreendedores. Segundo Conrado, o crescimento esperado para este ano está ancorado no aumento do capital dos dois fundos, ambos FIDCs – o Fundo Brasil, lançado durante a pandemia e que atualmente possui R$ 88 milhões em ativos sob gestão, e o Retomada, criado para atuar no Rio Grande do Sul, com AuM de cerca de R$ 56 milhões.
Ele revelou que a expectativa é levantar R$ 20 milhões para o fundo Retomada, sem especificar o valor para o Fundo Brasil, no modelo blended finance, combinando recursos privados e filantrópicos. Em agosto do ano passado, foi anunciada parceria com o Sebrae, que por meio do Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas (Fampe), destinou R$ 6 milhões para garantir operações do Fundo Brasil.
Conrado destaca que o período eleitoral pode dificultar a captação de recursos, mas acredita que o modelo de crédito desenvolvido nos últimos anos, que permite seleção mais precisa dos empreendedores, possa ajudar nas negociações.
Ao longo dos últimos cinco anos, o Estímulo ofereceu crédito acessível a mais de 6,1 mil pequenos empreendedores, 92% deles em áreas de baixa renda, além de capacitação em gestão financeira e marketing, tudo de forma digital.
As operações possuem tíquete médio de R$ 66 mil, com condições que variam conforme o fundo – no Brasil, juros a partir de 1,99% ao mês, carência de dois meses e parcelas em até 24 vezes; no Retomada, juros a partir de 0,99% ao mês, parcelas reduzidas por seis meses e parcelamento em até 36 vezes.
Dados do relatório de transparência do Estímulo apontam que, no primeiro trimestre de 2025, a rentabilidade da carteira atingiu 17%, com receita de juros de 24%. A inadimplência histórica é de 10,98%. A cota sênior do Fundo Brasil apresenta rendimento de 105% do CDI, com prazo de três anos.