A chinesa Anta Sports anunciou o acordo para se tornar a maior acionista da Puma, com a compra da fatia de 29,06% que atualmente pertence à família Pinault. O negócio prevê o pagamento à vista de € 1,5 bilhão e está previsto para ser concluído no fim deste ano.

A transação envolvendo a venda da participação da família Pinault para a chinesa Anta Sports já vinha sendo ventilada pelo mercado desde novembro. A troca do quadro societário ocorre em um momento adverso para a Puma, em meio ao aumento da concorrência no setor de artigos esportivos.

Criada em 1991 no sudeste da China, a Anta Sports ganhou escala ao longo dos anos 2000 por meio de uma estratégia agressiva de aquisições, transformando-se em um grupo multimarcas. Além da marca própria Anta, a companhia controla a Fila no mercado chinês, é dona da Jack Wolfskin e mantém participação relevante na Amer Sports, conglomerado que reúne marcas globais como a Wilson.

No mercado, a troca no bloco de controle foi recebida como uma esperança de que a chinesa Anta Sports consiga conduzir um turnaround na Puma. Na terça-feira, 27 de janeiro, logo após o anúncio da transação, as ações da companhia alemã subiam cerca de 10%. Na véspera, em meio aos rumores sobre a negociação, os papéis saltaram 17%.

Dentro da Anta Sports, a aquisição de uma fatia relevante na Puma é vista como um passo importante na estratégia de globalização multimarcas do grupo. Em comunicado, Ding Shizhong, chairman da companhia, afirmou confiar na equipe da Puma e destacou a intenção de unir forças.

“Acreditamos que o preço das ações da Puma nos últimos meses não reflete plenamente o potencial de longo prazo da marca. Temos confiança em sua equipe de gestão e em sua transformação estratégica”, afirma.

Até os rumores sobre a potencial venda da participação da família Pinault no negócio, as ações da Puma vinham em queda acentuada na Bolsa de Frankfurt, acumulando uma desvalorização de 83% entre 2021 e outubro do ano passado.

Com a valorização registrada nesta sessão, a Puma se aproxima de um valor de mercado de € 3,5 bilhões, quase 30% acima do patamar alcançado em outubro, mas ainda representando apenas uma fração dos quase € 27 bilhões que valem hoje sua rival Adidas.

O tamanho é próximo ao da própria Anta Sports, avaliada em 218 bilhões de dólares de Hong Kong (cerca de € 23,45 bilhões), atrás apenas da Nike e da Adidas entre as empresas mais valiosas do mundo no mercado de artigos esportivos.

Mas se o patrocínio chinês será suficiente para alavancar as operações da Puma e colocá-la de volta à elite global dependerá também do entrosamento e das potenciais sinergias entre as equipes.

Ainda que em um patamar mais sólido que o da Adidas, as ações da Anta Sports acumulam cerca de 50% de queda desde o pico de 2021.

Na conta, pesam o maior pessimismo com o crescimento chinês e as próprias disputas da companhia no mercado interno, onde, além da concorrência com gigantes globais, também enfrenta a ascensão de empresas menores, como a Li Ning.
Ainda que parte do mercado já viesse precificando a transação, as ações da Anta Sports subiram mais 2% nesta madrugada.