HR Tech de softwares na nuvem que cobrem desde a seleção, o treinamento e a folha de pagamento até a gestão de cargos, salários e benefícios, a LG lugar de gente está movimentando novamente uma das esteiras que ajudaram a consolidar esse portfólio voltado às áreas de recursos humanos.
Em mais um passo para consolidar sua tese de ser uma one stop shop do setor, a companhia assinou nesta quarta-feira, 7 de janeiro, o contrato para a aquisição da Moavi, empresa dona de uma plataforma de gestão de escalas de trabalho para o varejo, a partir da aplicação de inteligência artificial (IA).
Com a transação, cujos termos financeiros não foram revelados, a LG lugar de gente assume o controle da Moavi – o acordo inclui uma opção de compra futura de 100% da empresa. Os seis sócios da empresa, entre eles, o fundador e CEO Victor José Guerra, seguem à frente da operação.
“Considerando apenas o mercado de grandes varejistas, o potencial de captura de receitas dessa solução é de mais de R$ 120 milhões”, diz Felipe Azevedo, CEO da LG lugar de gente, ao NeoFeed. “Mas, levando em contra outros setores, estamos falando de um mercado endereçável de R$ 4,6 bilhões.”
Sétima aquisição da LG lugar de gente – e, segundo Azevedo, a maior da história da companhia, a compra da Moavi interrompe um “silêncio” de exatos três anos da empresa nessa arena inorgânica. E foi justamente no início desse hiato que as duas partes se aproximaram.
“Chegamos até a Moavi pela indicação de um player de mercado, mas eles ainda tinham um porte pouco relevante e alguns desafios de crescimento”, afirma Luigi Pizzichemi, diretor de fusões e aquisições da LG. “Mas nós decidimos observar de perto o amadurecimento da empresa.”
Esse namoro começou a ficar mais sério no fim de 2024, com a assinatura de uma proposta não vinculante e a promessa da entrega de algumas metas em 2025, o que resultou agora na conclusão do negócio. “Foram três anos de proximidade e alguns meses de negociação”, diz Pizzichemi.
Além de alguns números contabilizados nesse intervalo – a receita da Moavi, por exemplo, cresceu 85% nos últimos doze meses – e do mercado endereçável bilionário à frente, o que chamou a atenção foi o modelo proposto pela empresa e seu encaixe com o portfólio e a base de clientes da LG.
Fundada em 2017, a Moavi analisa o histórico de vendas dos varejistas e a alocação dos times na ponta para obter esses números. E, a partir desses dados e do uso de IA, propõe escalas semanais, com dias e horários, para distribuir de maneira mais eficiente as equipes, além de monitorar seus desempenhos.
“Nós já atuamos junto a essa força de trabalho com sistemas de ponto e de folha de pagamento”, diz Pizzichemi. “E, agora, vamos poder integrar a gestão desses times para que esses clientes tenham mais previsibilidade e sejam mais eficientes, reduzindo horas extras desnecessárias e processos trabalhistas.”

Com seu modelo, a Moavi atende 60 clientes, entre eles, nomes como Pague Menos, DPSP, Carrefour, Assaí, GPA e Marisa. A carteira da LG, por sua vez, tem mais de 2,2 mil clientes, dos quais, mais de 500 são varejistas – menos de 10% deles usam as ferramentas da empresa adquirida.
“Nós mapeamos o potencial de uma receita adicional recorrente de R$ 40 milhões para a Moavi apenas na nossa base de clientes”, diz Azevedo. “E isso começa no varejo, mas já estamos olhando para outros segmentos.”
Além do varejo
Em paralelo a essa forte aposta nas vendas cruzadas entre os clientes varejistas, a LG e a Moavi já miram estender esse portfólio a setores como facilities, call centers, hotelaria e aviação nos próximos quatro anos. Quem vai inaugurar esse novo roteiro, ainda em 2026, é o segmento de saúde.
Ao mesmo tempo, a LG lugar de gente, que fechou 2025 com uma receita de mais de R$ 400 milhões e um Ebitda superior a R$ 100 milhões, já projeta quais serão os reflexos da aquisição da Moavi em seu balanço.
“Vamos superar os R$ 500 milhões de receita nesse ano, com um Ebtida de R$ 140 milhões”, ressalta Azevedo. “E, nessa última linha, a Moavi terá uma contribuição de aproximadamente R$ 14 milhões.”
Enquanto persegue esses números, a LG segue continua ativa na avenida dos M&As. Esse radar inclui, claro, companhias de softwares de recursos humanos e que dialoguem com essa área, além de operações mais centradas em pequenas e médias empresas.
“No fim do dia, nós olhamos para a equação margem versus preço pago versus crescimento”, observa Pizzichemi. “Se essa conta fizer sentido, vamos alocar recursos. Do contrário, acharemos novas formas de geração de crescimento orgânico.”
Segundo Azevedo, os possíveis novos acordos serão financiados com seu caixa e balanço. “Se, eventualmente, aparecer uma aquisição de R$ 1 bilhão, aí talvez precisemos de novos sócios ou de uma nova rodada com nossos investidores”, diz ele, referindo-se às gestora H.I.G. Capital e HIX Capital.
Em abril de 2025, o NeoFeed apurou junto a fontes de mercado que a gestora contratou o Bank of America com o mandato de encontrar um comprador para a sua participação, mas que poderia evoluir também para uma captação para crescer via M&As. Azevedo descarta que a H.I.G. Capital estaria disposta a vender sua fatia na operação.
“Nós fizemos R$ 100 milhões de Ebitda em 2025 e vamos fazer R$ 140 milhões em 2026. Estamos valorizando a empresa em 40% em um ano”, diz. “Então, hoje, não é interessante para os nossos acionistas saírem.”