A gigante varejista Magazine Luiza inaugura, na terça-feira, 9 de dezembro, a Galeria Magalu, uma megaloja física de 4 mil metros quadrados (m²), na avenida Paulista, em São Paulo, que reúne no mesmo espaço os produtos das cinco marcas: Magalu, Netshoes, Época Cosméticos, KaBum! e Estante Virtual.
A nova loja, que fica no mesmo imóvel onde funcionou a Livraria Cultura, no Conjunto Nacional, deverá ser, em até seis meses, quando ela já estiver ‘madura’, a primeira em faturamento na lista das cerca de 1,3 mil unidades físicas da companhia no Brasil. A expectativa é que ela registre um fluxo mensal de 100 mil pessoas.
Em um conceito omnichannel, com a conexão direta do varejo físico com o digital, a companhia já enxerga, a partir da experiência da loja na Avenida Paulista, um potencial para replicar o modelo em cerca de 50 unidades físicas da empresa no Brasil, com tamanho suficiente para abrigar as cinco marcas do Magalu.
“O Magalu era multicanal, mas todo o nosso ecossistema, ainda não. Faltava a gente levar esse conceito para essas empresas que compramos nesse último ciclo de cinco anos. E agora a gente materializa essa prática”, diz Frederico Trajano, CEO do Magalu, em entrevista ao NeoFeed.
“Assim como foi um diferencial estratégico o Magalu ser um líder em eletroeletrônicos nas categorias tradicionais, a gente agora leva esse diferencial estratégico de canais de vendas para as nossas marcas. Ter a presença física faz diferença”, complementa.
No ano passado, a empresa fez uma espécie de projeto-piloto em uma loja do Magalu, na Marginal Tietê, em São Paulo, quando passou a contar com unidade física do KaBuM! e da Netshoes. Desde o início da operação, a receita da unidade mais que triplicou.
“Foi um piloto absolutamente bem-sucedido. Só com Magalu, a loja faturava R$ 5 milhões, como um ponto único. Com a união das outras marcas, ainda que em um conceito de outlet, esse faturamento saltou para R$ 21 milhões, em novembro. Isso nos encorajou”, diz o CEO.
A ideia da implementação da Galeria Magalu começou em abril de 2024, a partir do fechamento da livraria. Segundo o CEO do Magalu, somente a concepção do projeto demorou oito meses. E a tendência é que as próximas unidades neste modelo demorem menos. A empresa ainda não definiu quais serão as próximas que serão abertas.
Segundo Trajano, também há a possibilidade de um conceito modular, com algumas das cinco marcas, em lojas de tamanhos menores. “Esse número é potencialmente menor, mas ainda não temos isso definido. Fato é que há muitas possibilidades para o ecossistema do Magalu.”
Segundo o empresário, 45% de tudo que a rede comercializa pela internet ou é retirado na loja física ou está no modelo ship for store (modelo logístico onde produtos são enviados diretamente das lojas físicas para o cliente final). Esse modelo deve ser ainda mais potencializado a partir da nova loja.
O espaço da Galeria Magalu também servirá para ativações de marcas parcerias do Magalu – são cerca de 150 na nova loja física –, que podem utilizar a unidade para realizar, por exemplo, lives com influenciadores digitais.
A própria Lu, influenciadora virtual criada pela rede em 2003 e que hoje já conta com 8,4 milhões de seguidores no Instagram, terá sua "casa" na nova loja, com ações de interação com o público e exibições de produtos.
A varejista também inaugura o Teatro YouTube, espaço cultural que fica dentro da loja e que receberá espetáculos e eventos com criadores de conteúdo. Na entrada da loja também há um espaço dedicado para exibição de parte do acervo da Pinacoteca de São Paulo. O CEO do Magalu integra o conselho da instituição cultural.
No caso da Época Cosméticos e da Estante Virtual, serão as primeiras unidades físicas no Brasil. A Netshoes terá customizações de tênis e camisas de times. Na edição deste ano da São Silvestre, a loja terá como ativação a gravação do tempo na medalha dos corredores.
O Magalu também deverá agregar receita com divulgação de marcas, em um modelo branded commerce. Segundo Trajano, os contratos de ads e ações das marcas em um ano e meio vão garantir os custos de implementação da Galeria Magalu. A empresa não revela os investimentos na loja.
Para Trajano, a entrega da primeira Galeria Magalu representa o encerramento de seu segundo ciclo (de cinco anos) à frente da companhia, iniciado em 2016, quando assumiu o posto de CEO. E traduz o conceito de ecossistema.
O primeiro ciclo, na análise de Trajano, foi a digitalização, quando a empresa atingiu R$ 10 bilhões de faturamento, sendo R$ 2 bilhões de online. A partir da pandemia, o e-commerce cresceu e passou a representar 70% do GMV total.
“Depois disso entendia que era necessário diversificar as linhas de receita da companhia, quando a gente começou o ciclo estratégico de ecossistema”, diz Trajano.
“Entramos em várias categorias de produtos, montamos uma empresa de logística (Magalog), de serviços em nuvem (Magalu Cloud), e expandimos nossas ofertas de produtos financeiros. E essa loja física materializa esse conceito.”
O próximo ciclo, segundo o CEO, terá um componente representativo de inteligência artificial. Mas segue com o conceito de multicanalidade. “A Lu do Magalu será uma das grandes estrelas do nosso ciclo estratégico.”
No início de novembro, o NeoFeed revelou com exclusividade o início da implementação do modelo de IA, com a ampliação da presença da Lu nas vendas por WhatsApp da empresa. A conversão tem sido três vezes maior do que os demais canais.
Juros e cenário macroeconômico
No evento de lançamento da Galeria Magalu, na segunda-feira, 8 de dezembro, a presidente do conselho de administração do Magalu, Luiza Helena Trajano, reclamou do longo período de alta da taxa Selic, hoje a 15% ao ano, que, segundo ela, prejudica principalmente os pequenos empreendedores.
“Não há razão para os juros estarem nesse patamar. isso causa problemas para as pequenas e médias empresas. Eu já fui uma pequena empresa. São os pequenos que geram empregos. E os que mais sofrem”, afirma a presidente do conselho.
Na mesma linha, o CEO afirma que o País hoje vive uma dicotomia, em que a taxa de desemprego está em baixa, mas o custo de capital, gerado pela Selic, afeta o resultado financeiro do varejo em geral.
“No ano que vem, 11 milhões de famílias vão deixar de pagar imposto de renda. Isso significa R$ 30 bilhões diretamente para o consumo. Não há problema de demanda. A grande dificuldade é converter esta receita em resultado”, diz Fred Trajano.
“O custo de capital está tão alto que a despesa financeira tem comido o resultado das companhias. Vender não é problema. Converter a venda é o desafio para o País que tem a taxa de juro real mais alta do mundo”, complementa o CEO.