Com R$ 3 bilhões de receita líquida em 2025 e plano estratégico de chegar a R$ 10 bilhões em seis anos, a farmacêutica brasileira Libbs projeta o crescimento no desenvolvimento de uma linha de produção de vacinas, além da ampliação no mercado de biossimilares.

Neste contexto, está a criação da primeira vacina nacional contra Covid-19, doença que ainda mata no Brasil, mesmo que em um cenário muito distante do auge da pandemia, em 2020 e 2021. Todas as que foram usadas no País durante a crise, como a da Pfizer e da Astrazeneca, vieram do exterior.

Até mesmo a Coronavac, que teve a fase final de produção e a distribuição sob responsabilidade do Instituto Butantan, em São Paulo, contou com matéria-prima da China, produzida pela farmacêutica Sinovac.

“Estamos produzindo o insumo para a pesquisa clínica. Tínhamos uma planta industrial, que se encaixava perfeitamente à iniciativa da UFMG”, diz Marcia Martini Bueno, diretora de relações institucionais da Libbs, ao NeoFeed. Os primeiros lotes já estão sendo produzidos.

A ideia da farmacêutica é de, após esta etapa, assumir o envase e a produção total da vacina, a partir de um novo contrato com a UFMG, que ainda deve ser discutido. O desenvolvimento do IFA contou com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do Ministério da Ciência e Tecnologia.

“O maior gargalo era justamente a produção do IFA, já que não havia fábrica no Brasil capaz de desenvolver este produto”, afirma Anna Guembes, diretora de inovação e desenvolvimento de negócios da Libbs. “E agora estamos avaliando a fase seguinte, que é a produção da vacina.”

Os investimentos para isso já foram realizados. A companhia aportou R$ 630 milhões no desenvolvimento da Biotec, que é a fábrica principal da empresa, em Embu das Artes (SP), e na construção de uma planta-piloto, usada para a produção da IFA da vacina. A unidade piloto foi inaugurada em dezembro de 2024.

Segundo a companhia, há capacidade, em um primeiro momento, na esteira da planta-piloto, para incluir novas linhas, caso a Libbs realmente feche o contrato de produção efetiva da vacina da Covid-19, com a entrega do material pronto para ser usado.

“Temos possibilidade de incluir novos reatores fabris. E já há projetos de outros tipos de medicamentos. A Libbs tem condições de ampliar a capacidade. E certamente faremos novos investimentos, porque há muitas oportunidades sobre vacinas”, diz Guembes.

Mesmo assim, a farmacêutica já vem prospectando terrenos, perto da fábrica, e em outras cidades, justamente para ampliar o volume de produção a partir da criação de uma linha específica para vacinas.

A Libbs já tem uma parceria com o Instituto Bio-Manguinhos para o envase da vacina da febre amarela. Neste caso, a farmacêutica recebe o IFA e produz a vacina. No ano passado, a empresa envasou 12,8 milhões de doses.

Deste volume, 3,3 milhões de doses foram distribuídas no Brasil e 9,5 milhões enviadas para África e América Latina, em parceria com Organização Panamericana de Saúde (OPAS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

O mercado endereçável de vacinas no Brasil explica o interesse da Libbs no segmento. Dados do IQVIA mostram que o setor privado registra um faturamento anual de R$ 1,6 bilhão.

No setor público, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) distribui atualmente mais de 50 vacinas em 36 mil salas de vacinação. Anualmente, são cerca de 350 milhões de doses distribuídas aos municípios.

Segundo dados do Ministério da Saúde, o País registrou 1.536 óbitos provocados pela Covid-19 em 2025, dos quais 10.427 casos graves confirmados. Entre casos leves e moderados da doença, foram 430.086 registros.

Canetas emagrecedoras também no radar

E, a exemplo de boa parte das farmacêuticas nacionais, está nos planos da Libbs a entrada, a partir de 2026, no mercado de medicamentos análogos ao GLP-1, as chamadas canetas emagrecedoras.

“Como todas as empresas do setor, a gente está de olho neste mercado, com uma visão também de avanço na saúde pública. A obesidade é uma doença que precisa ser tratada, já que ela causa outras doenças para os pacientes”, afirma Guembes.

A Libbs submeteu à Anvisa pedidos de registros para produção de liraglutida, que teve a patente expirada em novembro de 2024, e de semaglutida, hoje sob exclusividade da Novo Nordisk, com o Ozempic, e que vence em março de 2026.

Ainda não há definição se, com a aprovação, a própria empresa irá produzir as canetas em sua fábrica, na cidade paulista, ou se irá licenciar o produto, a partir de um acordo com uma companhia do exterior. “Vamos avaliar o que for mais economicamente viável”, afirma a diretora de inovação.

O plano da Libbs também passa a aumentar o volume de produtos no portfólio, com mais investimentos em pesquisa e inovação. Atualmente a Libbs conta com 98 marcas de produtos em sete especialidades, incluindo quatro biossimilares.

Até 2032, serão aportados R$ 1 bilhão em projetos para o desenvolvimento de novos medicamentos. O pipeline previsto é de 50 produtos.