Há tempos sofrendo com os efeitos do alto nível de alavancagem, a CSN anunciou na quinta-feira, 15 de janeiro, um plano para equacionar sua estrutura de capital e reduzir a relação entre dívida líquida e Ebitda para uma vez em até oito anos.

A companhia informou que pretende iniciar o ano realizando “movimentos estratégicos” para reduzir o endividamento, principalmente por meio da venda de ativos relevantes, com o objetivo de desalavancar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões.

Segundo a CSN, os desinvestimentos permitirão à empresa focar em “segmentos de maior rentabilidade, crescimento e sinergias”, com a empresa esperando dobrar seu Ebitda no prazo de oito anos.

O comunicado não especifica quais ativos serão vendidos, mas a companhia já começou a se movimentar. Em dezembro, realizou uma transferência de liquidez entre controladas, vendendo sua fatia na MRS Logística para a CSN Mineração por R$ 3,35 bilhões.

Os ativos de infraestrutura parecem ser centrais no plano da CSN. No ano passado, a empresa sinalizou que pretendia colocá-los no mercado para ajudar a reduzir a dívida, que encerrou o terceiro trimestre em R$ 37,5 bilhões, com alavancagem financeira ajustada de 3,14 vezes.

Na teleconferência de resultados, os executivos informaram que preparavam a criação de uma empresa para reunir esses ativos. Batizada de CSN Infraestrutura, a nova companhia reunirá sete ativos do portfólio, incluindo ferrovias, portos e rodovias.

A ideia é monetizar essa companhia por meio da venda de participação minoritária, formação de uma joint venture ou até mesmo um IPO, disse o CFO da CSN, Antonio Marco Rabello.

Os problemas da CSN com alavancagem não são novidade. Em 2021, o IPO de R$ 5,2 bilhões da CSN Mineração teve como um dos objetivos reduzir a dívida. No fim do primeiro trimestre, a relação entre dívida líquida e Ebitda caiu de 2,23 vezes em 2020 para 1,29 vez em 2021.

Desde então, a alavancagem voltou a ser um desafio, pressionada pelo cenário mais difícil na siderurgia e pelos investimentos em diversificação, com ativos de cimento e energia.

No fim de 2024, a CSN revisou sua projeção de alavancagem, de 2,50 vezes para uma meta abaixo de 3,0 vezes em 2025. A companhia encerrou 2024 com relação dívida líquida/Ebitda de 3,49 vezes.

Ainda em 2024, após a operação envolvendo a MRS, a Fitch afirmou que a busca da CSN por parceiros nos segmentos de energia e infraestrutura, desde que estruturada de forma favorável, é crucial para apoiar a redução da dívida.

A Fitch calculou que a alavancagem total e líquida da CSN será de 5,4 vezes e 3,5 vezes em 2025, respectivamente, melhorando para 5,0 vezes e 3,3 vezes em 2026, ante 6,0 vezes e 3,5 vezes em 2024. O desempenho deverá ser impulsionado pelo crescimento modesto do Ebitda e efeitos cambiais.

Por volta de 11h45, as ações da CSN caíam 2,82%, a R$ 9,98. Em 12 meses, os papéis acumulam alta de 24,6%, levando o valor de mercado a R$ 13,2 bilhões.