A RD Saúde anunciou na manhã de terça-feira, 3 de março, a venda de sua unidade de medicamentos especiais por R$ 600 milhões, como parte da estratégia de reforçar sua posição no varejo farmacêutico, nova fronteira das plataformas de e-commerce e do varejo alimentar.
A companhia informou em fato relevante que acertou a venda da 4Bio Medicamentos, que atua no ramo de medicamentos especiais, para a Health Ventures, empresa do Grupo Profarma.
A operação prevê também a manutenção de um caixa líquido de R$ 80 milhões no fechamento, além de ajustes de capital de giro e endividamento líquido. A venda ainda precisa ser aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
A RD Saúde manteve o direito ao reconhecimento de R$ 120 milhões relativos ao diferencial de alíquotas do ICMS (Difal), que já possui decisão favorável no Supremo Tribunal Federal (STF). A monetização ocorrerá mediante levantamento dos depósitos judiciais, após o trânsito em julgado da decisão.
O montante será pago em seis parcelas: R$ 100 milhões no fechamento da operação e outras cinco anuais de R$ 100 milhões, corrigidas pelo CDI. Segundo a RD Saúde, a transação gerará um ganho de Imposto de Renda estimado em R$ 60 milhões.
A 4Bio foi comprada pela RD em 2015, quando a varejista pagou R$ 24 milhões por 55% da empresa de medicamentos especiais. Em 2024, a RD assumiu 100% da companhia, dentro da estratégia de criar um ecossistema de saúde, que envolveu aportes em startups, criação de joint ventures e desenvolvimento de novos negócios.
Segundo a RD, ao longo dos últimos 11 anos, a 4Bio elevou sua receita anual de R$ 125 milhões para R$ 3,4 bilhões nos 12 meses encerrados no terceiro trimestre.
Apesar dos resultados, o cenário do mercado mudou, forçando a RD a adotar a estratégia back to basics para proteger sua fortaleza, o varejo farmacêutico, ameaçado pela chegada de novos players que disputam um mercado estimado em R$ 20 bilhões.
O segmento é alvo das redes de supermercados. No ano passado, uma comissão do Senado aprovou a venda de medicamentos pelo setor, permitindo a instalação de gôndolas, atendendo a um pleito antigo.
Quem também avança no varejo farmacêutico é o e-commerce, que nos últimos anos vem pressionando a categoria de HPC – higiene, cuidados pessoais, perfumaria e cosméticos.
Em setembro, o Mercado Livre causou impacto no segmento ao comprar a Target, drogaria da Memed, startup da DNA Capital, que tem a família Godoy Bueno como investidora. A plataforma pretende começar a atuar no setor neste ano, por meio de venda 1P.
A venda da 4Bio também foi motivada por mudanças no mercado de medicamentos especiais. Segundo a RD, o segmento passou a ter dinâmica comercial e margens mais próximas à distribuição farmacêutica do que ao varejo.
“Nesse contexto, a RD Saúde avalia que deixou de ser a proprietária natural do ativo”, diz trecho do fato relevante divulgado pela companhia.
Com a venda da 4Bio, a RD Saúde prevê fortalecer sua estrutura de capital, reduzir despesas financeiras líquidas e incrementar sua rentabilidade e o Roic, além de reforçar que o foco agora está de volta no varejo.
Toda essa situação fez a empresa perder mais de R$ 20 bilhões em valor de mercado no final de setembro, em relação ao pico registrado em agosto de 2024.
Em 12 meses, as ações da RD Saúde acumulam alta de 35,9%, resultando em valor de mercado de R$ 41,3 bilhões. Por volta das 10h33, os papéis caíam 2,94%, a R$ 23,76.