O Santander Brasil deu início à temporada de balanços dos bancos, apresentando seu maior lucro trimestral em quatro anos. O banco anunciou nesta quarta-feira, 4 de fevereiro, lucro líquido gerencial de R$ 4,08 bilhões no quarto trimestre, aumento de 6% em relação ao mesmo período de 2024 e avanço de 1,9% ante o terceiro trimestre.
O resultado ficou levemente acima da média das projeções de analistas da Bloomberg, que apontavam para R$ 4,07 bilhões, embora analistas que acompanham o banco tenham destacado que o desempenho foi favorecido por menor alíquota de imposto.
O retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) alcançou 17,6%, recuo de 0,1 ponto percentual em relação ao quarto trimestre de 2024 e avanço de 0,02 ponto percentual frente ao trimestre anterior, também em linha com as expectativas.
Em entrevista coletiva, o CEO do Santander, Mario Leão, afirmou que o desempenho reflete a seletividade na concessão de crédito, pilares que sustentam a meta de retomar o ROAE de 20%. “Estamos construindo uma operação cada vez mais sólida e eficiente, e este é mais um trimestre nessa direção. Claramente avançamos uma ou duas casas e seguimos com a mesma estratégia”, disse.
Com a previsão de queda da Selic, o Santander mantém cautela na concessão de crédito. O banco busca reduzir riscos e ampliar a participação em segmentos e produtos considerados mais seguros, mesmo com menor volume de operações em relação a anos anteriores.
No quarto trimestre de 2025, a carteira de crédito ampliada somou R$ 708,2 bilhões, alta de 2,8% na comparação trimestral e de 3,7% na anual. A margem financeira bruta foi de R$ 15,3 bilhões, queda de 4% em relação a 2024, impactada pelo resultado negativo da linha de mercado. Já a margem financeira com clientes cresceu 6,6% no ano e 1,6% frente ao trimestre anterior.
Segundo o CFO Gustavo Alejo, há pressão em portfólios de agronegócio, pequenas empresas e clientes de menor renda, além da possibilidade de novos eventos de crédito. “Com Selic ainda elevada, é natural que exista pressão”, afirmou.
A mensagem dos executivos é de que o Santander entra em 2026 numa condição melhor para lidar com essas situações, apesar do peso deste cenário sobre as provisões.
Segundo Leão, a dinâmica de vários portfólios é melhor em 2026 do que em 2025, quando o banco teve que reforçar as provisões para lidar com eventos de crédito em empresas, destacando que o processo de redução de riscos está evoluindo, ainda que não esteja completo.
O Santander elevou o nível de provisões no segundo trimestre de 2025, antecipando prejuízos com menor recuperação de ativos. No quarto trimestre, o resultado de PDD gerencial totalizou R$ 6,1 bilhões, queda de 6,4% na comparação trimestral. No ano, subiu 2,9%.
O índice de inadimplência de 15 a 90 dias atingiu 4%, aumento de 0,3 ponto percentual em relação a 2024. Já o índice acima de 90 dias subiu 0,5 ponto percentual, chegando a 3,7%.
“Não vai acontecer nada em 2026? Certamente alguns casos vão acontecer. Não é que não vamos ter provisões, mas a gente acredita que relativamente a 2025, devemos ter uma evolução positiva”, disse Leão. “O contexto requer atenção, vamos continuar fazendo uma gestão disciplinada do portfólio.”
Ele ressaltou que a formação de portfólios saudáveis passa por crescer “desproporcionalmente” em segmentos escolhidos, como alta renda e pequenas e médias empresas, sem a pressão de superar concorrentes em resultado agregado.
“Idealmente queremos ganhar mercado, mas não controlamos o ritmo de crescimento. O mais importante é avançar nos segmentos estratégicos. Se crescermos zero no total, mas dez ou 15 onde queremos, ótimo. Isso é crescer desproporcionalmente”, afirmou.
A expansão também é relevante para o Santander global, que anunciou a compra do Webster Financial nos Estados Unidos em 3 de fevereiro. A aquisição torna o banco espanhol a décima maior instituição financeira no país, onde sua presença era limitada.
Leão destacou que a entrada nos Estados Unidos não reduz a importância do Santander Brasil, maior operação da holding, mesmo diante de lucros superiores na matriz. “O Brasil não perde relevância, porque o crescimento global do lucro também depende daqui”, disse.
Por volta das 11h21, as units do Santander recuavam 1,67%, a R$ 35,34. Em 12 meses, os papéis acumulam alta de 38,7%, levando o valor de mercado a R$ 133,4 bilhões.