A liquidez da bolsa brasileira está cada vez menor, com cada vez mais companhias querendo fechar seu capital ou recomprar ações. A mais nova empresa a querer deixar a B3 é a T4F Entretenimento.

A companhia, especializada em eventos de entretenimento, informou que seu acionista controlador, Fernando Alterio, protocolou na CVM um pedido de registro de oferta pública unificada para aquisição de ações, com a saída do Novo Mercado — a última versão do formulário de referência, de novembro, aponta que 42,6% do capital da companhia está em circulação.

Alterio está propondo pagar R$ 5,59 por ação, um prêmio de 26% em relação ao fechamento do pregão de ontem. Levando em conta o total de ações em circulação, ele deve gastar cerca de R$ 16 milhões na operação.

A T4F estreou na Bolsa em abril de 2011, com o IPO levantando R$ 539,3 milhões. Desde então, as ações da companhia acumulam queda de 72,2%, resultando em um valor de mercado de R$ 300,1 milhões.

Segundo a T4F, Alterio tomou essa decisão por atender aos interesses da companhia, “tendo em vista os custos de manutenção do registro de companhia aberta”, bem como a “ausência de perspectivas para ampliação da liquidez dos valores mobiliários da companhia e de oportunidades de investimento por meio de emissões no mercado de capitais no Brasil no curto e médio prazo”.

Com o pedido de OPA, que ainda precisa ser aprovado pela CVM, a T4F segue o mesmo caminho de empresas como Gol, Neoenergia e Eletromídia.

Levantamento do Broadcast aponta que, de 2023 até novembro do ano passado, 32 empresas deixaram a Bolsa. Os motivos são variados, desde aquisições, como é o caso da Desktop, que foi comprada pela Claro, até razões estratégicas, como a justificativa apresentada pela T4F.

Além das OPAs, a liquidez da Bolsa está sendo drenada por programas de recompra de ações. Quem recentemente anunciou uma iniciativa desse tipo foi a Azul, que pretende adquirir até 2,5% das ações em circulação.

Um levantamento feito pelo Itaú BBA em meados de março apontou que, na ocasião, os programas de recompra em aberto somavam R$ 89,8 bilhões em volume de compras pretendido, distribuídos em 113 iniciativas de 95 empresas. Até então, havia R$ 81,4 bilhões a serem recomprados.

O banco informou que quatro companhias anunciaram programas de recompra entre o fim de fevereiro e a primeira metade de março — Vivo, Gerdau, Simpar e Melnick. No acumulado do ano, já foram recomprados R$ 3,5 bilhões em ações, queda de 25% em relação ao mesmo período de 2025.

No ano passado, foram registrados 82 novos programas de recompra, abaixo do recorde estabelecido em 2024, de 126 operações. Em termos de volume, o ano de 2024 só perde para 2022, quando a Vale apresentou um programa que totalizava R$ 42 bilhões.