As pesquisas podem até apontar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro serão os protagonistas da eleição presidencial, mas Gilberto Kassab vê a possibilidade de o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, quebrar essa polarização.

“Existe um recall forte desses dois políticos, por conta de seus nomes, mas a polarização existente não está consolidada. O Caiado, eu aposto que pode dar certo, com trabalho, transpiração, para recuperar o tempo perdido”, disse o presidente do PSD na terça-feira, 7 de abril, no evento Brazil Investment Forum, promovido pelo Bradesco BBI.

Considerado um dos principais estrategistas políticos do País, Kassab defendeu que Caiado, nome escolhido por seu partido para se colocar como “a terceira via” das eleições, é o único capaz de fazer com que as reformas econômicas necessárias passem pelo Congresso, dado seu histórico e capital político.

Sobre o Legislativo, ele foi bastante duro, criticando a qualidade e as prioridades dos políticos, aproveitando para retomar a defesa do voto distrital.

Acompanhe, abaixo, os principais pontos abordados por Kassab:

Caiado reformista

O presidente do PSD defendeu que o País precisa realizar um ajuste fiscal para garantir credibilidade entre os investidores. Destacando que Lula não tem interesse no tema, Kassab afirmou que Flávio Bolsonaro não é um nome forte o suficiente para impor uma agenda de controle de gastos, algo que seu pai também nunca demonstrou grande interesse.

“Temos um posicionamento claro de que vamos combater o déficit fiscal nos primeiros dias”, disse. “Não é o Lula que vai ter essa postura, porque ele não teve isso em cinco mandatos. E não acho que o Flávio tenha essa experiência, nem a sua equipe”, disse.

Para ele, a força de Caiado vem de seu histórico como governador, do fato de não ter qualquer denúncia de corrupção em seu currículo e dos resultados na área de segurança em Goiás. Segundo Kassab, esses serão os dois principais temas das eleições.

A grande questão é se Caiado é capaz de se posicionar como a alternativa e atrair os votos dos dois lados. Uma pesquisa encomendada pelo BTG Pactual e realizada pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, da FSB Holding, divulgada na semana passada, mostra que, no cenário com Caiado, o presidente Lula aparece com 41%, 3 pontos percentuais à frente de Flávio (38%). Caiado tem 4%, assim como Zema.

Para Kassab, Lula e Flávio possuem altos índices de rejeição, na casa dos 40%, abrindo caminho para Caiado. “O voto do Lula não é consolidado, dos 40% que ele tem, metade é fluido. O mesmo com Flávio Bolsonaro”, disse.

Ele entende que a candidatura de Caiado ganha tração caso consiga chegar em junho com 10% dos votos. “Tem que ter uma terceira alternativa, nem que seja para perder, para mostrar que existe alternativa”, afirmou.

Congresso de má qualidade

Esse capital político é considerado por Kassab como fundamental para conseguir passar as reformas por um Congresso que, em sua opinião, é de muita baixa qualidade.

“Só se discute no Congresso emenda parlamentar, loteamento de agências reguladoras”, disse. “A política, infelizmente, está perdendo credibilidade, faltam discussões de políticas públicas que pensem o Brasil. 80% da energia dedicada pelos políticos é para questões paroquiais.”

Kassab afirmou que Caiado tem o compromisso de acabar com as emendas impositivas, uma “excrescência” que Jair Bolsonaro criou e Lula aumentou. Ou então fazer com que sejam destinadas a programas de governo.

Para ele, tanto Lula quanto Flávio não vão mexer nesse tema porque vão atender aos “interesses fisiológicos” do Congresso.

Voto distrital e reformas

Além de um presidente com “estatura moral” e experiência, Kassab entende que o Congresso só vai melhorar e discutir os principais temas do País quando for adotado o voto distrital, capaz de evitar candidaturas aventureiras.

“É preciso mudar para o voto distrital, não tem como, porque celebridades e youtubers vão tomar conta do Congresso”, disse.

Kassab também defendeu a necessidade de realizar uma reforma no Judiciário, com a imposição de uma idade mínima de 60 anos para ser ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), além de reduzir o tamanho do Estado. Sobre essas questões, ele voltou a criticar Lula, Flávio Bolsonaro e o Congresso.

Citando o caso da reforma administrativa proposta pelo deputado Pedro Paulo, do seu partido, ele disse que os parlamentares não discutem o tema por inação do governo Lula, que não quer ver o projeto passar, e não devem discutir caso Flávio Bolsonaro seja eleito, por não ver no senador intenção de lidar com a situação do funcionalismo público.

“A mudança tem que vir do Executivo, com autoridade moral, para impor essas mudanças no Legislativo”, disse Kassab.