Consultar os investimentos, resgatar a aplicação com o menor rendimento, pagar a conta de luz e transferir o dinheiro que sobrou para um cofrinho. Tudo isso sem navegar pelas telas de um aplicativo e a partir de uma única instrução.

É essa experiência que o PicPay pretende oferecer na segunda geração de seu assistente de inteligência artificial. Em vez de apenas responder a perguntas ou executar uma operação isolada, a ferramenta está sendo preparada para encadear diferentes tarefas financeiras.

“A maior parte dos agentes hoje executa uma ação. No nosso caso, você dá a instrução, ele concatena múltiplas atividades e realiza”, disse Eduardo Chedid, CEO do PicPay, em entrevista ao NeoFeed, durante o NeoSummit IA na Real.

O plano é transformar o assistente em uma espécie de secretária financeira. Se o cliente pedir um Pix para a irmã, por exemplo, a IA poderá consultar o histórico de transações, identificar quem é a destinatária e preparar a transferência, mesmo que o nome não tenha sido informado.

O sistema também deverá combinar os dados do cliente com informações externas. Em outro exemplo dado por Chedid, seria possível solicitar o depósito, em um cofrinho de viagem, do equivalente a US$ 100. O assistente consultaria a cotação do dólar, faria a conversão e apresentaria o valor em reais antes de pedir a confirmação.

É uma mudança relevante em relação aos assistentes bancários tradicionais, mas que também aumenta o grau de responsabilidade da tecnologia, já que a inteligência artificial passa a decidir qual investimento será resgatado e executar uma sequência de operações com o dinheiro do cliente.

O PicPay também já enxerga um futuro sem aplicativos bancários. Por isso, desenvolveu integrações com ChatGPT e Claude para consultas de saldo, extrato e investimentos, além de um MCP (protocolo que permite a agentes de outras plataformas acessar os serviços do banco, desde que o cliente autorize a conexão).

A segunda geração do assistente é uma das apostas do PicPay para deixar de ser visto apenas como mais um aplicativo bancário e tentar ocupar a interface pela qual o cliente administra, de forma integral, sua vida financeira.