A mudança nas regras do vale-refeição e do vale-alimentação no Brasil aumenta a disputa no mercado de benefícios corporativos e pode ampliar a margem das empresas que conseguirem operar com mais eficiência.
Esse é um dos pontos destacados por Ricardo Salem, CEO da Flash, em entrevista ao Revolução IA, programa do NeoFeed sobre o impacto da inteligência artificial nos negócios, com apoio do Magalu Cloud.
“Num mercado em transformação, vence quem entrega o melhor produto e o melhor serviço. A inteligência artificial é fundamental para isso”, afirma Salem.
O debate ganhou força após a Justiça restabelecer a aplicação das novas regras do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), que limitam as taxas cobradas pelas operadoras e reduzem o prazo de repasse aos estabelecimentos. O decreto fixou um teto de 3,6% nas tarifas cobradas de restaurantes e supermercados, além de exigir mais interoperabilidade no sistema.
Hoje, o mercado brasileiro de vales movimenta cerca de R$ 170 bilhões por ano e é dominado por grandes operadoras como Ticket (Edenred), Pluxee (Sodexo), Alelo e VR, que juntas concentram cerca de 85% da participação.
Nesse cenário, Salem afirma que a tecnologia se tornou uma arma estratégica para ganhar eficiência e, principalmente, margem. Segundo ele, a Flash vem incorporando inteligência artificial em várias áreas da operação, desde atendimento ao cliente até análise de dados e vendas. É uma espécie de "vale-IA" que beneficia o negócio.
Um exemplo é o uso de modelos preditivos para identificar clientes com risco de cancelamento ou insatisfação. Ao antecipar esses sinais, a empresa consegue agir antes da perda da conta, o que já ajudou a proteger cerca de R$ 10 milhões em margem bruta, segundo o empreendedor.
A inteligência artificial também vem sendo usada para impulsionar receitas dentro da própria base de clientes. Nos últimos anos, a Flash ampliou sua atuação e deixou de ser apenas uma empresa de benefícios para se posicionar como uma plataforma mais ampla de gestão da jornada do colaborador, com produtos nas áreas de RH, finanças corporativas e gestão de despesas.
Para acelerar essa expansão, a companhia desenvolveu um algoritmo que analisa diferentes atributos das empresas que já utilizam seus benefícios e identifica quais outros produtos têm maior probabilidade de adoção. A ferramenta orienta as equipes comerciais sobre onde concentrar esforços e ajudou a aumentar em cerca de 40% a conversão nas estratégias de cross sell, segundo Salem.
“Acreditamos que inteligência artificial não se separa do core business ou do produto. Ela faz parte do produto e da forma como o cliente se relaciona com ele. É uma maneira de criar funcionalidades que simplificam a jornada do cliente e geram mais eficiência”, diz.
Outro pilar dessa estratégia foi a criação de agentes de inteligência artificial para automatizar processos e aumentar a eficiência operacional. A Flash já desenvolveu cerca de 70 agentes, usados em atividades que vão do atendimento ao cliente à análise de dados e ao suporte às equipes comerciais.
Para Salem, a disseminação dessas ferramentas dentro da empresa é parte do esforço para manter a inovação no centro do negócio e ganhar vantagem competitiva ante os principais incumbentes do mercado de benefícios.