A Gerdau está usando gêmeos digitais para reposicionar a siderurgia na era da inteligência artificial e levar a tomada de decisão para um novo patamar dentro do processo produtivo.

Em entrevista ao Revolução IA, programa do NeoFeed com apoio do Magalu Cloud, Gustavo França, CIO da companhia, explicou que a tecnologia cria réplicas virtuais das plantas industriais, alimentadas por dados operacionais e sensores, permitindo simular cenários, antecipar falhas e testar ajustes antes que eles sejam de fato implementados na fábrica.

“O conceito é simples: levar os dados do processo produtivo para uma camada virtual. Isso nos permite fazer simulações, predições e prescrições para ganhar eficiência e reduzir custos”, afirmou França, que enxerga os gêmeos digitais como a base das fábricas do futuro.

O primeiro grande projeto foi implantado na maior unidade da empresa, em Ouro Branco (MG), começando pela aciaria — considerada o coração da produção de aço. A partir do gêmeo digital, a Gerdau passou a reorganizar sequências produtivas, otimizar o uso de insumos e redesenhar rotas operacionais em ambiente virtual.

“Conseguimos simular rotas que trazem melhor eficiência e menor custo, sem precisar mexer fisicamente nos equipamentos”, disse França.

O impacto prático aparece no tempo de resposta. Segundo o executivo, situações que antes levavam entre 30 e 40 dias para serem corrigidas agora levam apenas algumas horas. E em muitos casos, a Gerdau tem conseguido recuperar a produção ainda no próprio mês.

Para sustentar esse modelo, a empresa precisou avançar na governança de dados. A estratégia incluiu a criação de um repositório centralizado, em Belo Horizonte, no qual estão conectados mais de mil equipamentos. O sistema permite comparar fábricas em diferentes países, medir desempenho em tempo real, identificar gargalos e replicar boas práticas entre unidades.

Apesar do avanço da automação, a Gerdau mantém o humano no centro das decisões. “Não é humano versus inteligência artificial. É humano com inteligência artificial. A IA amplifica a performance humana”, afirmou França.

Segundo ele, os modelos são supervisionados e a palavra final segue com as equipes operacionais. Outro pilar da estratégia é a capacitação interna. A companhia criou programas para formar profissionais em ciência de dados dentro da própria organização, incluindo engenheiros e colaboradores das áreas industriais.