A bolsa foi o melhor ativo de 2025, com valorização de 34%, e os gestores de ações não decepcionaram e entregam resultados. Mas não atraíam investidores. Por isso, tiveram a sua pior captação líquida histórica, negativa em R$ 54,5 bilhões no ano, com resgates líquidos em todos os trimestres.
Os dados são da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), que mostram também que os fundos de ações tiveram uma rentabilidade média de 31,6% no ano, bem acima do CDI no período, de 14,3%.
Os fundos do tipo setoriais apresentaram a melhor rentabilidade, com retorno de 69,3%, e os fundos do tipo ações índice ativo, 35,7%. O pior retorno ficou com os fundos de small caps, com 19,9%.
Apesar da saída dos investidores e da queda no número de fundos (-726), o patrimônio líquido dos fundos de ações cresceu, avançando de R$ 578,1 bilhões para R$ 660,1 bilhões em 2025. O que mostra que o crescimento do estoque se deu pela valorização das carteiras.
“Esse resultado lembra os investidores da importância de diversificar, que a renda variável tem grande potencial de valorização. Mas a verdade é que ainda há muita aversão ao risco e o investidor se contenta com o resultado ainda atraente e mais seguro da renda fixa”, afirma Pedro Rudge, diretor da Anbima, em coletiva de imprensa.
Segundo dados de captação das gestoras até novembro, as gestoras com mais resgates em fundos de ações foram Credit Suisse, BB Asset, Itaú, Lanx Capital e Safra.
Resultado da indústria
A indústria de fundos de investimento fechou o ano de 2025 com um patrimônio líquido de R$ 10,7 trilhões, um crescimento anual de 15,2%, segundo dados da Anbima. Mas teve captação líquida R$ 35 bilhões menor do que no ano anterior, de R$ 88,4 bilhões.
A renda fixa seguiu sendo a locomotiva do mercado, trazendo R$ 84,3 bilhões em captação líquida, com um retorno médio de 12,3% no ano, abaixo do CDI do período, de 14,3%.
Dentro dessa categoria, os fundos do tipo duração livre crédito livre (que podem alocar mais de 20% da carteira em títulos de médio e alto risco de crédito, tanto no mercado doméstico quanto no externo) se destacaram, com captação líquida positiva de R$ 148,4 bilhões, enquanto duração baixa e grau de investimento teve captação negativa em R$ 79,2 bilhões.
Os FIDCs e os FIPs também tiveram forte crescimento, com captação líquida de R$ 57,6 bilhões e R$ 60,1 bilhões, respectivamente.
Recuperação à vista
Os multimercados tiveram uma captação líquida ainda pior, negativa em R$ 58,9 bilhões. Mas neste caso, foi bem melhor que nos últimos anos, tendo somente em 2024 ficado negativa em R$ 151,3 bilhões.
E os números mostram uma tendência de reversão, já que no segundo semestre houve uma captação positiva de R$ 7,7 bilhões.
A rentabilidade média da classe foi de 14,7% no ano, ligeiramente abaixo do CDI. Mas os multimercados long and short tiveram retorno médio de 22% e os de capital protegido de 19,1% no período.
Quem também conseguiu atrair mais investidores foram os ETFs, com captação líquida de R$ 22,9 bilhões — a maior desde o início da série histórica da Anbima, em 2002.
Apesar dos melhores resultados dos ativos de risco, a expectativa é que a renda fixa siga sendo a protagonista em 2026.
"Os juros irão cair, mas não se sabe ainda a velocidade e o contexto macroeconômico, e mesmo assim devem continuar altos. Isso dá conforto ao investidor que está avesso ao risco em ano eleitoral e com as condições macro. Com melhores expectativas, isso pode mudar ao longo do tempo. Por enquanto, a bolsa depende do fluxo estrangeiro", afirma Rudge.