Grande parte das assessorias de investimentos decidiu correr em busca dos R$ 100 bilhões sob custódia. Mas, segundo estudo da consultoria AAWZ, não serão todos os grupos que conseguirão concretizar esse plano.

A consultoria rastreou que 12 assessorias divulgam ter a meta de chegar a essa marca bilionária até 2030. Para dar certo, o estudo da AAWZ calcula que o mercado precisaria de R$ 2,5 bilhões em caixa para que todas elas cumpram suas metas. A capacidade real estimada, porém, é de R$ 1,7 bilhão, deixando um gap estrutural de R$ 700 milhões.

Mais do que um problema de funding, o estudo da AAWZ levanta uma dúvida sobre a própria viabilidade dessa meta de R$ 100 bilhões anunciada pelo setor. Segundo o relatório, o mercado B2B de pessoas físicas somava cerca de R$ 1,02 trilhão em custódia no fim de 2025, enquanto as 12 assessorias com metas públicas já projetam, juntas, chegar a R$ 1,235 trilhão.

Em outras palavras, a soma dos objetivos declarados já supera o tamanho atual de todo o mercado. É a partir dessa conta que a AAWZ sustenta que a corrida dos R$ 100 bilhões não deve se materializar para todos.

“O problema é que o que não fechou nesses valores é o caixa de todo mundo, é o tamanho do mercado como um todo”, diz o CEO e fundador Filipe Medeiros ao NeoFeed.

Na prática, a avaliação dele é que a consolidação seguirá acontecendo, mas não na escala projetada por parte do setor, que passou a tratar a marca dos R$ 100 bilhões de custódia como um objetivo quase obrigatório. O executivo também relativiza a ideia de que atingir esse patamar abriria caminho automático para uma abertura de capital.

“Vejo pouca possibilidade de existir IPO de assessoria. Elas não possuem valor de equity por estarem atreladas a uma corretora. A não ser que se tornem uma corretora full”, afirma ele.

Fusões em alta

O movimento de fusões e aquisições entre assessoria de investimentos voltou a ganhar força em 2025. Foram 21 operações envolvendo mais de 50% do time de uma assessoria, alta de 91% em relação às 11 transações registradas em 2024, mostra a AAWZ.

No acumulado desde o terceiro trimestre de 2020, a consultoria contabiliza mais de 91 movimentações no setor, envolvendo mais de 78 assessorias distintas.

Medeiros analisa que este ano continuará forte em M&As, mas de uma forma diferente das transações do passado - na primeira quinzena de março deste ano, Nucleopar Investimentos e Virtue, ambas plugadas à XP, uniram suas operações e criaram uma plataforma com R$ 4,5 bilhões sob custódia.

O relatório da AAWZ sustenta que 2025 marcou o “reconhecimento da nova realidade”, com compradores e vendedores ajustando expectativas e aceitando que os múltiplos praticados no passado não se sustentam mais no cenário atual.

Para o fundador da consultoria, estamos entrando na terceira onda de consolidação do mercado. Depois da fase dos grandes negócios fechados entre 2020 e 2022 e da etapa seguinte, em que escritórios médios passaram a ser comprados a preços “mais razoáveis, mais realistas”, o setor entrou agora em um momento em que os players maiores estão adquirindo os players médios.

“Quem conseguir se aproximar e participar desse movimento de consolidação que está agora, vai surfar bem. Quem não conseguir, vai ter que esperar a próxima janela”, diz ele.

Essa próxima janela de liquidez deve levar cerca de três anos para voltar, quando começarem a vencer os contratos de exclusividade que hoje prendem boa parte das assessorias às corretoras, que vencem em sua maioria em 2030 ou 2031.