Miami - A XP International anunciou um movimento para tentar mudar a escala da dolarização de seu investidor de varejo. Por meio da integração tecnológica com a Allfunds, uma das maiores plataformas de fundos de investimento do mundo, a casa está plugando sua rede a um cardápio de mais de 5 mil fundos e 1,4 mil gestoras globais.

Para a XP, o movimento não é apenas estratégico, é matemático. Hoje com cerca de US$ 15 bilhões sob custódia em suas plataformas internacionais, o norte da companhia é a recomendação de alocação da casa. O CIO Arthur Wichmann vem sugerindo uma diversificação com 15% de exposição internacional no portfólio.

“Não acreditamos que, de uma hora para outra, teremos 50% da custódia fora do Brasil. Mas, como um 'cheiro' de guidance, essa alocação mínima de 15% no offshore que o Arthur sinaliza é o que pretendemos para esse primeiro movimento”, diz José Tibães, sócio da XP.

Com R$ 1,9 trilhão em ativos totais sob gestão, se a rede seguir esse caminho, serão cerca de R$ 285 bilhões (pouco mais de US$ 40 bilhões na conversão atual) do patrimônio dos clientes no exterior.

Embora estar plugado na Allfunds signifique ter acesso aos principais gestores globais, Fabiano Cintra, head de fundos internacionais da XP, afirma que haverá uma curadoria. "Não queremos ter 700 fundos por ter. Queremos os verdadeiros ganhadores de dinheiro selecionados sob escrutínio técnico", afirma Cintra.

De início, a nova prateleira terá 10 casas reconhecidas pelo seu track record. Entre elas estará a Oaktree Capital, de Howard Marks, com o fundo Oaktree Global Credit, que é focado em crédito de alta qualidade e com investimento inicial de US$ 1 mil.

O fundo Oaktree Global Credit opera com uma carteira extremamente pulverizada, com mais de 900 emissores, o que mitiga o risco de eventos de crédito isolados.

Com liquidez de cinco dias úteis, a estratégia combina um "book de carrego" para o longo prazo com uma parcela tática para capturar distorções de mercado.

Em 2025, o fundo superou sua meta de retorno de dólar +7%, mantendo uma performance anualizada de dois dígitos na janela de três anos.

Nesse processo de seleção da XP, que Cintra frisa ir além das telas dos terminais, há diligência nas visitas presenciais em centros como Londres e Nova York para garantir o compromisso das gestoras com o investidor brasileiro antes de qualquer listagem.

Um exemplo é o mandato exclusivo assinado com a Wellington Asset Management, que detém mais de US$ 1,3 trilhão sob gestão. Além de produtos exclusivos como o Wellington Global Quality Growth - que entregou retornos na casa de dólar +10% nos últimos dez anos -, a XP será a única a oferecer no Brasil o mandato de Credit Total Return da gestora norte-americana.

"Estamos unindo o mundo da manufatura, que é a gestão global, com o dos alocadores que gerem mais de R$ 300 bilhões no ecossistema XP", diz Tibães.

Ilíquidos e alternativos também

A integração com a Allfunds é a primeira entrega de um ano com um calendário intenso de internacionalização do portfólio. Ainda no primeiro semestre, o foco será na expansão total de ETFs, um dos produtos mais solicitados pela rede, segundo os executivos.

Para o segundo semestre, a agenda está na integração com ativos alternativos e ilíquidos. Com isso, a XP acredita que vai poder oferecer todos os tipos de classes de ativos, com perfis variados de risco e retorno.

"Fazer isso aos poucos tem um efeito pedagógico e financeiro, pois permite que o cliente consuma um preço médio de dólar em diferentes pontos do ciclo econômico", afirma Cintra.

Para o investidor que busca internacionalizar o patrimônio, mas prefere delegar a escolha dos ativos, a XP Asset está transpondo a inteligência de alocação do segmento private para o varejo.

Ainda em março, a plataforma deve dar escala às suas carteiras administradas, que utilizam os fundos "da casa" (como os de global allocation e Latam bonds) para refletir o cenário macro global de forma dinâmica.

* O jornalista viajou a convite da XP.