No Brasil, já são 25 milhões de pessoas no sistema cooperado, reunindo quase R$ 1 trilhão em ativos sob gestão. Com esse amadurecimento, as cooperativas buscam deixar de oferecer apenas serviços de crédito e operações bancárias básicas para avançar também na gestão de patrimônio.
A Unicred, quarta maior instituição financeira cooperativa do país, quer crescer justamente nessa frente. Criada há 35 anos para profissionais de saúde, a instituição hoje aceita qualquer participante. Assim, alcançou 380 mil cooperados, R$ 45 bilhões em ativos totais, presença em 25 estados, 368 pontos de atendimento e quatro mil colaboradores.
Nos últimos cinco anos, esse avanço se acelerou, impulsionado pela redução de capilaridade dos bancos tradicionais, que fecharam agências. Para a Unicred, esse movimento abriu espaço para que o cooperativismo ocupasse o território e fortalecesse o relacionamento local.
“Os bancos tradicionais fecharam agências buscando eficiência. As cooperativas cresceram ocupando esse espaço com proximidade regional e relacionamento”, afirmou Rafael Carelli, diretor de negócios da Unicred do Brasil, no Wealth Point, programa do NeoFeed.
Mas havia um ponto em que os bancos estavam vencendo a disputa — e a Unicred decidiu reagir: gestão de patrimônio. O cooperado passou a buscar mais alternativas de investimento e, quando não encontrou, levou seus recursos para fora.
“Vimos que tínhamos que completar nosso portfólio, porque nós também temos uma característica muito forte que se chama planejamento financeiro do nosso cooperado. Havia um gap para fazer isso”, disse Remaclo Fischer Júnior, presidente do Sistema Unicred.
Para responder a essa demanda, a Unicred entrou no jogo das plataformas com a Ziin, em parceria com o BTG. A marca foi lançada em 2024, e a DTVM começou a operar em fevereiro de 2025 — uma operação jovem, mas já com tração.
A plataforma superou R$ 8 bilhões em ativos sob custódia, atingiu o breakeven e agora mira R$ 10 bilhões até o fim do ano. Atende desde o varejo até o segmento de grandes fortunas.
O diferencial que pretende levar para essa disputa é o próprio modelo cooperativista: o investidor não é apenas cliente — é sócio. Fischer resume essa lógica.
“O cooperado faz parte do negócio, ele é sócio e recebe o retorno desse negócio na distribuição de sobras. O que seria o lucro para a instituição financeira volta para o cooperado, que no modelo cooperativista é chamado sobra.”
A próxima etapa é integrar outras cooperativas à Ziin e acelerar ainda mais seu crescimento.