A Kinea, gestora independente controlada pelo Itaú, tem mais de 18 anos de história investindo em uma série de classes de ativos que vão de fundos imobiliários, crédito para infraestrutura, private equity, ações e renda fixa. Com isso, chegou a R$ 150 bilhões sob gestão.

Marcio Verri, o fundador e CEO da Kinea, costuma dizer que não tem nenhuma aposta preferida. Apesar disso, em 2026, a gestora está investindo em duas novas áreas e enxerga uma oportunidade que é uma das maiores do Brasil.

“Hoje existe um consenso que o Brasil tem um déficit de infraestrutura gigante e que o único beneficiado com aumento na infraestrutura é a população”, diz Verri, ao Café com Investidor, programa que é uma parceria entre NeoFeed e CNN Brasil, exibido quinzenalmente no CNN Money.

“A quantidade de investimentos, tanto do ponto de vista de crédito como do ponto de vista de equity, que a gente vai ter nos próximos anos no Brasil vai ser incrível”, complementa o fundador e CEO da Kinea.

A gestora está concluindo a captação de um fundo de mais de R$ 400 milhões, que vai dobrar o seu fundo de infraestrutura, como noticiou o NeoFeed com exclusividade.

Mas essa não é a única oportunidade que a Kinea está enxergando. A companhia está entrando em duas novas áreas. A primeira é uma parceria com a Allos, que está em processo de formalização, e que vai criar um dos maiores fundos de shopping centers do Brasil. A outra é o investimento em multifamily nos Estados Unidos, em Atlanta.

No caso de shoppings, Verri diz que a gestora buscava ativos diversificados, operação consolidada e ausência de alavancagem. A parceria com a Allos permite, em sua visão, montar um portfólio que atende a esses critérios. O fundo pode chegar até R$ 2 bilhões e foi estruturado para entregar renda sem depender de dívida e com governança alinhada ao horizonte de longo prazo dos cotistas.

A expansão internacional segue a mesma linha. A Kinea já tinha parte relevante de sua equipe dedicada a ativos globais, mas decidiu avançar para investimentos imobiliários diretos nos Estados Unidos. O primeiro projeto, de US$ 30 milhões, está em Atlanta.

A escolha da cidade não tem relação com a preferência dos brasileiros por mercados como Miami ou Nova York. A gestora, explica Verri, buscou regiões com menor risco extremo, oferta consistente de dados e dinâmica demográfica estável.

O modelo é o tradicional do multifamily americano: desenvolvimento, locação e posterior venda para investidores institucionais. A Kinea já soma cerca de R$ 200 milhões em operações de crédito e equity no país e avalia novas localidades.

Na entrevista ao Café com Investidor, que você assiste no vídeo acima, Verri fala também sobre a taxa de juros real elevada, que limita o apetite por risco em outros segmentos e pressiona empresas. A queda das taxas, na visão dele, será gradual. A guerra e o impacto no petróleo aumentaram a incerteza, mas não mudaram a direção. “Acreditamos que no final de 2026 a taxa deve estar por volta de 13%”, afirma.