A Kinea Investimentos está perto de concluir a captação de R$ 405,96 milhões para um de seus fundos de debêntures de infraestrutura, buscando aproveitar os papéis cujos spreads subiram antes que as taxas voltem aos patamares normais.
A gestora de ativos alternativos, controlada pelo Itaú Unibanco, está levantando recursos para o KNDI11 desde a semana passada. O NeoFeed apurou que a operação está bem encaminhada e pode ser concluída nos próximos dias, abrindo caminho para o fundo dobrar de tamanho – o cronograma prevê como prazo mínimo 1º de junho.
“De capital mesmo, já está mais de 90%”, disse uma pessoa familiarizada com o andamento da oferta, que pediu para não ser identificada. “As indicações de reservas vieram mais fortes do que o esperado.”
A emissão ocorre em um momento em que os spreads de debêntures incentivadas registraram forte alta nos últimos três meses, abrindo cerca de 77 pontos-base, em razão da situação da Aegea, que atrasou a divulgação do balanço anual.
Quando os resultados foram divulgados, mostraram ajustes bilionários, expondo a fragilidade da carteira da empresa, além de pressão na alavancagem.
Os spreads dos papéis da Águas do Rio, subsidiária da Aegea mais afetada, com vencimento em sete anos, subiram entre 350 e 360 pontos-base em abril, contaminando outros títulos de saneamento, ativos que os fundos tendem a comprar bastante por serem considerados mais seguros e previsíveis.
Em menor grau, outros setores de infraestrutura também foram prejudicados, forçando fundos a vender bons ativos após apresentarem cotas negativas, o que gerou pedidos de resgate.
Isso abre caminho para a Kinea aproveitar bons ativos que devem ficar disponíveis. “Nossa visão é de que os prêmios podem continuar aumentando, provavelmente em um ritmo inferior ao que temos visto nos últimos meses e, com isso, aumentar a quantidade de oportunidades de investimento no mercado secundário para os nossos fundos”, diz trecho da carta relativa a abril do KNDI11.
Esse cenário, segundo fontes ouvidas pelo NeoFeed, fez com que a Kinea optasse por fazer uma oferta do KNDI11, dada sua flexibilidade. Na tese de dívida de infraestrutura, a gestora conta com R$ 15 bilhões em ativos sob gestão (AuM, na sigla em inglês). No total, a casa detém R$ 150,4 bilhões em AuM.
Estruturado no final de 2024, o fundo foi criado para aproveitar os benefícios da Lei 11.478, de 2007, que instituiu os Fundos de Investimento em Participações em Infraestrutura (FIP-IE). A legislação permite aportes em projetos anteriores a 2007 e também em projetos que emitiram debêntures incentivadas.
Em abril, o KNDI11 rendeu 0,31%, enquanto o benchmark CDI rendeu 1,09%. No ano, o fundo registra ganho de 4,4% e o CDI de 4,5%. A cota patrimonial rendeu CDI mais 2,38% desde o início do fundo.
Procurada pelo NeoFeed, a Kinea informou que está em período de silêncio por conta da oferta e, por isso, não comentaria o assunto.