Em um ano em que pretende operar com mais cautela, o Itaú Unibanco fechou o primeiro trimestre com resultados que se tornaram padrão para o banco: robustos e sem surpresas negativas, ainda que afetados pela sazonalidade do período.

O banco registrou lucro recorrente gerencial de R$ 12,3 bilhões nos primeiros três meses do ano, um aumento de 10,4% em relação ao mesmo período do ano anterior e queda de 0,3% em relação ao quarto trimestre, segundo o balanço divulgado nesta terça-feira,5 de maio.

O número veio levemente abaixo da média das estimativas coletadas pela Bloomberg, que apontavam para um lucro de R$ 12,4 bilhões. O banco destacou, porém, que, ao desconsiderar o efeito da distribuição antecipada de dividendos, ocorrida no fim do ano passado, o resultado recorrente gerencial teria sido de R$ 12,7 bilhões.

O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) anual ficou em 24,8%, uma melhora de 2,3 pontos percentuais em base anual e de 0,4 ponto percentual na comparação trimestral. O banco destacou que o desempenho vem da qualidade das carteiras, além de sua diversificação e dos ajustes feitos para preparar a instituição para um ano mais incerto em termos macroeconômicos.

Mas o que chamou a atenção dos gestores ouvidos pelo NeoFeed foram resultados que mostram que o Itaú está “subindo o sarrafo” e se diferenciando de outros bancos do mercado.

Um gestor não deixou de notar que o índice de endividamento é 15% menor na comparação com o mercado. O NPL é também menor em vários produtos, cerca de 40% a 50%, de acordo com essa fonte que analisou os resultados do primeiro trimestre.

No agro, chama atenção que o Itaú tem uma participação de mercado de 20% e apenas 4% de share nas RJs. Além disso, em grandes empresas, o Itaú dobrou a carteira em sete anos, aumentando a diversificação.

“A carteira de pessoa física com garantia é de 56%. Essa é uma cutucada no Nubank, cuja carteira é mais de 90% sem colateral”, diz esse gestor.

“No Itaú Unibanco, mantivemos nossa estratégia de crescer de forma responsável, garantindo que a qualidade da nossa carteira siga os padrões que historicamente nos definem”, afirma, em nota, Milton Maluhy Filho, CEO do banco.

Os resultados atestam a boa execução do banco. "O ROE foi bom e a inadimplência está controlada. O lucro veio em linha, mas diria que a qualidade de crédito foi bem boa", diz um gestor que investe no papel, que pediu para não ser identificado. "É aquele tédio que todo investidor gosta."

A avaliação é de que o banco conseguiu expandir o crédito com qualidade. O balanço aponta que a carteira de crédito cresceu 9% na comparação anual e 1,2% na trimestral, para R$ 1,5 trilhão, excluindo variação cambial.

O Itaú manteve a inadimplência acima de 90 dias estável, em 1,9%. Já o índice que considera de 15 a 90 dias teve alta de 0,1 ponto percentual em relação ao trimestre anterior, para 1,7%.

O banco também elevou a despesa com perda esperada em 2,1% na comparação trimestral e 7,9% na anual, para R$ 10,2 bilhões. “O mercado começou a ventilar uma preocupação com a inadimplência dos bancos, mas o Itaú segue num ritmo muito saudável”, disse um analista.

Esses pontos fazem com que o Itaú mantenha o status de queridinho entre os incumbentes. "Acreditamos que, apesar do lucro líquido um pouco abaixo do esperado, as ações do Itaú estão baratas, com um P/L para dezembro de 9,3 vezes, considerando um lucro líquido projetado de R$ 50 bilhões no ano", diz Flávio Conde, head de ações da Levante Investimentos.

As ações preferenciais do Itaú fecharam o pregão com alta de 0,14%, a R$ 42,46. No ano, os papéis avançam 8,45%, levando o valor de mercado a R$ 470,2 bilhões.