O bilionário americano Peter Thiel, cofundador do PayPal e primeiro investidor do Facebook, liderou uma rodada de investimentos de US$ 140 milhões na startup Panthalassa, que planeja usar a energia das ondas para frotas gigantescas de data centers flutuantes.

O movimento, anunciado na segunda-feira, 4 de maio, ocorre justamente no momento em que investidores, principalmente ligados ao Vale do Silício, avançam na busca por energia para inteligência artificial (IA) por meio de novas fronteiras de soluções.

“O futuro exige mais poder computacional do que podemos imaginar. Novas soluções não são mais científicas. Panthalassa abriu a fronteira oceânica”, diz Thiel, ao jornal Financial Times.

O novo investimento permitirá à empresa expandir uma unidade de produção piloto, no Oceano Pacífico, com o objetivo de iniciar a produção comercial no próximo ano.

A maior parte da estrutura de aço maciço, com 85 metros de comprimento, fica abaixo da superfície, incluindo um contêiner fechado que abriga o servidor de IA, resfriado pela água do mar.

As embarcações podem navegar sozinhas até o destino, usando o formato do casco para se impulsionarem pelas ondas, sem a necessidade de um motor.

Enquanto a demanda por capacidade de computação de IA continua a superar a oferta, um número crescente de iniciativas diferentes do convencional para aliviar o gargalo energético está recebendo financiamento, desde a reativação de usinas nucleares desativadas até o lançamento de centros de dados movidos a energia solar no espaço.

“A energia das ondas do oceano aberto é de baixo custo, sustentável, abundante e agora temos a tecnologia para torná-la acessível às pessoas”, afirma Garth Sheldon-Coulson, cofundador e CEO da Panthalassa, e que foi pesquisador de IA e energia no fundo de hedge Bridgewater.

O aporte na Panthalassa parte do fundo pessoal de Thiel. A empresa de venture capital que ele fundou, a Founders Fund, já havia apoiado a startup em uma rodada de financiamento anterior, em 2018.

Outros novos investidores nesta rodada incluem o CEO da Salesforce, Marc Benioff; o cofundador do PayPal e da Affirm, Max Levchin; e John Doerr, um dos primeiros investidores do Google, Amazon, Uber e Netscape.

Doerr classificou a Panthalassa como um “divisor de águas no atendimento às necessidades globais de energia e na geração de energia limpa”.

A equipe da Panthalassa, que foi fundada em fevereiro de 2016, é formada por ex-engenheiros de empresas como SpaceX, Boeing, NASA, Tesla e Apple.

O cofundador Brian Moffat atuou na unidade de engenharia de animação da Disney e no Google, enquanto Dan Place, diretor de engenharia, trabalhou no “navio-drone” que a SpaceX usava para capturar seus foguetes reutilizáveis.

Os chips de IA do sistema recebem e respondem às consultas dos usuários por meio da conexão de satélite Starlink da SpaceX.

O sistema em forma de pirulito de Panthalassa pode produzir muito mais energia do que a energia das marés ou a eólica, porque opera em áreas remotas e não precisa estar ancorado ao fundo do oceano ou ao continente.

Os equipamentos da empresa são em grande parte sólidos, sem dobradiças, abas ou caixas de engrenagens que possam quebrar em condições oceânicas hostis. Isso também facilita a fabricação em larga escala.

Sediada no Oregon, a startup planeja construir sua unidade de produção-piloto nos Estados Unidos, mas poderá se mudar para outro local, dependendo de onde implementar frotas maiores.

Segundo Sheldon-Coulson, seu sistema é “extremamente rápido de fabricar” e utiliza apenas materiais como o aço. “As cadeias de suprimentos são extremamente robustas para essa tecnologia energética específica. Acreditamos que isso seja realmente importante para a escalabilidade e por razões ambientais e ecológicas.”

Os equipamentos da Panthalassa serão inicialmente rebocados horizontalmente para o mar por um barco, antes de serem virados para a posição vertical e seguirem sozinhos para o oceano aberto.

Os módulos, que recirculam a mesma água internamente para alimentação do gerador, não possuem emissões nem motores, minimizando o impacto na vida marinha.

“Nas regiões que visamos, as ondas são criadas pelo vento, e o vento é criado pelo calor do sol”, diz Sheldon-Coulson. “As ondas são como uma bateria para a luz solar e podemos captá-la 24 horas por dia, 7 dias por semana.”

A empresa não divulgou onde pretende alocar sua frota, mas possivelmente seria em algum lugar com condições de ondas adequadas e suficientemente remotas para evitar rotas de navegação.