Liderado por Luiza Helena Trajano, presidente do conselho de administração do Magazine Luiza, o Grupo Mulheres do Brasil anunciou, na terça-feira, 5 de maio, o lançamento do 1º Summit Mulheres nas Profissões, que acontecerá nos dias 4 e 5 de agosto, no Expo Center Norte, em São Paulo.

Com a intenção de ser o maior encontro do Brasil voltado ao desenvolvimento profissional feminino, o summit deve receber cerca de 10 mil pessoas, durante os dois dias, e contar com cerca de 200 palestras de lideranças de várias áreas.

“Queremos que as mulheres que forem ao evento possam discutir como podem melhorar e avançar em suas profissões. Por isso teremos muitas palestras. E, para as pequenas empreendedoras, vamos ter espaço para que ela exponha e converse com especialistas”, diz Trajano.

O pano de fundo para este movimento está no avanço do percentual de mulheres que hoje ocupam cargos de liderança. Segundo dados do LinkedIn, a presença feminina nestas posições é de 32%. E o plano do Grupo Mulheres do Brasil é fazer com que represente, em pouco tempo, pelo menos 50%.

Além do empoderamento feminino e da busca por mais espaços em posições de topo, o grupo também vai atuar para que haja a conscientização masculina e o apoio nesta trilha. “É importante que os homens estejam com a gente. Eles também estarão incluídos no summit”, diz.

O evento vai ocupar 14 mil metros quadrados (m²), com espaços para estandes de expositores, empresas e empreendedores, além de áreas para palestras. A arena central, com capacidade de 2,5 mil pessoas, será palco dos principais eventos. Ao todo, serão de 10 a 10 arenas temáticas, para cada grupo de profissões.

Entre os apoiadores do summit está o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). A ideia é também garantir oportunidades de recrutamento aos profissionais. Startups também terão espaço, com arena exclusiva para pitches.

Segundo Trajano, a proposta é que o evento de empreendedorismo seja o primeiro do tipo realizado pelo Grupo Mulheres do Brasil, e que a discussão seja contínua.

“O summit não acaba agora. Ele vai continuar, por meio de atitudes e de ações que iremos promover ao longo do ano. O grupo vai inaugurar uma nova casa, em São Paulo, em que vamos poder fazer muitas outras atividades”, afirma a empresária.

A presidente do conselho do Magalu diz que o grupo que ela lidera também quer atuar no aumento de mulheres do cenário político. Hoje, só 18% das cadeiras do Legislativo são ocupadas por mulheres.

“Precisamos de mais mulheres prefeitas, senadoras, deputadas. Porque aí a gente tem certeza de que muitas ações vão mudar, inclusive o combate ao crime contra as mulheres.”

Considerado um dos maiores grupos suprapartidários do país, o Grupo Mulheres do Brasil foi criado em 2013 e hoje conta com mais de 140 mil integrantes. São 161 núcleos no Brasil e no exterior. Além de Luiza Helena Trajano como presidente, a organização tem como vice-presidente Sonia Hess, ex-presidente da camisaria Dudalina.

Antes do lançamento oficial do summit, a presidente do Mulheres do Brasil concedeu entrevista exclusiva ao NeoFeed, e detalhou os objetivos do evento. Luiza Helena também falou sobre as discussões em torno do fim da escala 6x1 e da atual taxa de juros.

A seguir, os principais trechos da entrevista:

De onde partiu a ideia da realização deste evento para fortalecer a presença feminina no mercado de trabalho?
Nós temos um grupo de mulheres muito forte. Somos mais de 140 mil no Mulheres do Brasil e a gente sentiu que não quer só atuar em apenas um segmento, em apoio para todo o público feminino. Atuamos em mais de 10 áreas diferentes, onde há a presença da mulher em todas as áreas. Queremos trazer isso à tona e ter mulheres liderando junto com os homens.

Por que ainda temos esta disparidade entre homens e mulheres nos cargos de comando das empresas?
Ainda é uma diferença importante, mas a distância vem diminuindo. Tem crescido o número de mulheres em cargos de liderança e não queremos dar um salto para trás. O que a gente quer é um salto grande para a frente. E, para mudar, precisamos também da aliança com os homens. Por isso que este momento, do lançamento do summit, é tão importante.

Estamos em um ano eleitoral. Este movimento também envolve uma busca pela equidade também entre homens e mulheres na política?
Sim. Da mesma forma que a gente não quer que haja uma diminuição do número de mulheres nas empresas, o grupo também trabalha para o aumento da presença feminina no cenário política. Hoje, essa presença é de 18%. E também queremos chegar a 50%. Nesta eleição, vamos trabalhar para eleger mais mulheres.

A senhora tem sido uma voz constante contra a alta taxa de juros no Brasil. Qual sua avaliação agora sobre o atual patamar de 14,75% ao ano?
Não é o ideal, mas já deu um sinal pelo menos. Tomara que continue caindo.

É possível entender as razões para que o Brasil ainda tenha uma taxa Selic tão alta?
Não. Realmente não dá para entender. Não há uma explicação para isso na economia. Tenho

Qual sua avaliação sobre as discussões travadas em Brasília em torno do projeto que prevê o fim da escala 6x1?
Entendo que é uma discussão que, no fim, não pode aumentar custo para ninguém. Essa medida ainda precisa ser melhor debatida. Ainda falta diálogo. O que não pode é aumentar o custo nem para o trabalhador e nem para a empresa. Isso não pode acontecer.