Dados divulgados pelo Banco Central mostraram que o crédito consignado privado alcançou um saldo de R$ 101,6 bilhões em março, o que representou um crescimento, em base anual, de 142,4% na modalidade.

Esse salto foi impulsionado pelo Crédito do Trabalhador, programa lançado pelo governo federal exatamente um ano antes. E que também está movimentando as estratégias da UY3, fintech de credit as service que está em processo de captação de R$ 3 bilhões para financiar operações nessa esteira.

“Quanto mais pulverizadas as nossas operações, melhor, mas o Crédito do Trabalhador é onde estamos colocando mais esforço”, diz Querandy Acosta, cofundador e diretor da UY3, ao NeoFeed. “Eu acredito que esses R$ 3 bilhões vão ser tomados rapidamente, em cerca de seis meses.”

Nesse passo, a meta da companhia é encerrar 2026 com um patamar de originação mensal de R$ 1 bilhão por mês nessa ponta. Atualmente, a empresa contabiliza um volume de aproximadamente R$ 300 milhões mensais nessas operações.

Para girar – e acelerar – essa roda, a captação de R$ 3 bilhões está sendo feita via Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), com diferentes parceiros. Entre eles, a XP, que estruturou duas emissões de R$ 400 milhões, já concluídas.

Como parte do seu modelo, em todos esses veículos, a UY3, que fornece a infraestrutura de crédito e o funding dessas operações para fintechs, instituições financeiras, varejistas e segmentos como redes de concessionárias e franquias, assume as cotas juniores dos FIDCs.

“Nós conectamos esses parceiros com a Faria Lima e tomamos o risco junto com eles”, afirma Acosta. “Porque muitas vezes essas empresas não têm condições financeiras e nem acesso ao mercado de capitais.”

Já na ponta da oferta no centro dessas emissões, ele ressalta que o Crédito do Trabalhador, ainda precisa de ajustes, como é próprio da evolução de iniciativas desse porte. O que, num primeiro momento, fez com que muitos bancos pisassem no freio nessa oferta.

“Mas, à medida que essas instituições vão testando e conhecendo, elas abrem mais a torneira. E quando se sentem confortáveis, entram com o pé embaixo”, diz Acosta. “Eu acho que, em seis meses, isso vai ser algo maluco e essa concorrência vai ser benéfica, porque vai fomentar a queda das taxas.”

Em operação no programa desde o início, a UY3 chegou ao mercado em 2021, quando Acosta e os irmãos Tabaré e Caracé – o trio tem ascendência uruguaia, daí o nome da startup – deixaram o Grupo Plata, empresa da família que atuava como securitizadora, para criar a fintech focada no DNA em crédito do clã.

“Muitos dos concorrentes foram para o Banking as a Service, mas nós entendíamos que isso era uma commodity”, diz Acosta. “O BaaS é uma bicicleta, não tem tanta tecnologia, mas roda bem. Já o Credit as a Service é uma moto, com mais valor, mas que precisa de combustão – e funding – para andar.”

Por falar em funding, até aqui, a UY3 já captou uma rodada de R$ 50 milhões junto à NVA Capital, gestora criada por Marcelo Maisonnave, Pedro Englert, Eduardo Glitz e Victor Knewitz, ex-sócios da XP, e com a Vectis Partners. Além de outros R$ 200 milhões com fundos da Vinci Compass.

A partir desses recursos, a startup consolidou um portfólio que, além do Crédito do Trabalhador, opera modalidades como antecipação do FGTS, consignado público, buy now pay later e car equity.

Com esse pacote, a companhia fechou 2025 com mais de R$ 6 bilhões processados em sua plataforma. Para 2026, a projeção é superar o volume de R$ 11 bilhões.

Como parte desse percurso, Acosta diz que a UY3 já tem uma estratégia definida e ativa para estrear na arena dos M&As. Na mira, estão fintechs de crédito que atuem em ecossistemas como veículos e saúde. E o apetite, ao que tudo indica, é grande.

“Chegou o momento de fazer esse movimento inorgânico”, afirma. “Hoje, nós já temos cem empresas mapeadas. E, daqui para a frente, esses acordos vão começar a pipocar.”