No final de março, o Bradesco reuniu sob um único guarda-chuva seus diversos ativos de saúde. Batizado de Bradsaúde, o grupo apresentou seus primeiros resultados na noite de segunda-feira, 4 de maio, gerando expectativas entre os investidores sobre como será a dinâmica do mercado de saúde com essa nova empresa.
A companhia – que estreia na B3 nesta terça-feira, 5 de maio, por meio de um IPO reverso envolvendo a Odontoprev – informou ter fechado o primeiro trimestre com lucro líquido de R$ 1,3 bilhão, receitas de R$ 13,3 bilhões e um retorno médio sobre patrimônio líquido (ROAE) de 24,8%. A comparação com o mesmo período do ano passado não foi revelada.
No primeiro trimestre de 2026, a Bradsaúde registrou acréscimo de 52 mil vidas nos planos de saúde e 141 mil vidas nos planos odontológicos, alcançando mais de 13,4 milhões de beneficiários no País. A sinistralidade na Odontoprev caiu 3,1 pontos percentuais, para 32,7%, e 1,4 ponto percentual na Bradesco Saúde, a 79,1%.
No seu primeiro dia na Bolsa, a Bradsaúde vê suas ações operarem em alta. Por volta das 12h46, os papéis avançavam 4,13%, a R$ 15,64.
Com essa base consolidada, a Bradsaúde parte agora para crescer, por meio da captura de sinergias entre os diferentes negócios e da escalada dos negócios que ainda não apresentaram todo o seu potencial.
“A Bradsaúde é um desenho que a gente vem executando há muito tempo e que hoje se torna realidade como um ecossistema”, disse Carlos Marinelli, CEO da Bradsaúde, em entrevista coletiva para tratar dos resultados.
“Mas cada uma das companhias tem sua própria realidade de mercado, seu próprio momento de negócio, e que a gente vai potencializar ao criar o que a gente chama de sinergias de negócio, para alavancar novas vendas, novos produtos, novos negócios e novos mercados”, complementou.
Segundo ele, a ideia é estreitar as conexões entre equipes de vendas para estimular o cross-sell de produtos, como planos empresariais com a parte odontológica e de saúde.
“Antes, essas forças de venda estavam trabalhando eventualmente com níveis de colaboração, mas nem tanto com nível de coordenação. Hoje isso passa a ser uma realidade com a Bradsaúde”, afirmou Marinelli. “Fazer acontecer novos produtos é algo que a gestão tem os incentivos para realizar.”
Produtos para empresas são um dos focos da companhia, especialmente pequenas e médias companhias. A Bradsaúde conta com mais de 3 milhões de vidas no segmento empresarial e vê nas PMEs um motor de crescimento para os próximos anos.
“A gente tem uma clareza muito grande de que o segmento de PME é um segmento que cresce muito”, afirmou Marinelli. “É um segmento que tem crescido tanto na Odontoprev quanto na Bradesco Saúde intensamente.”
A expansão da companhia passa também pela parte dos hospitais, com a Atlântica Hospitais investindo pesado em expansão – dos R$ 4,8 bilhões comprometidos, cerca de R$ 2,8 bilhões foram aportados, resultando em cerca de 4 mil leitos. A avaliação é de que a unidade também ajuda a fortalecer a presença da Bradsaúde em alguns mercados.
O plano da Bradsaúde prevê também equilibrar a representatividade das companhias da plataforma nos resultados. No primeiro trimestre, a Bradesco Saúde respondeu por 83% do lucro, enquanto a fatia da Atlântica foi de 1%.
Segundo Marinelli, essa proporção deve começar a mudar, com o “crescimento consistente” dos demais negócios, que estão em níveis de maturação diferentes.
“Dentro da participação de lucratividade dos diversos negócios, claramente há alguns com velocidade de desenvolvimento maior que os negócios tradicionais, já maduros”, disse o executivo. “Um desses negócios é a Atlântica, que aparece de forma tímida, mas a ideia é que contribua de forma mais significativa nos próximos trimestres e anos.”
Para o BTG Pactual, os resultados da Bradsaúde são encorajadores. Ainda que a divulgação tenha sido limitada, o analista Samuel Alves avaliou que o resultado final é robusto, atingindo cerca de 32% de sua estimativa para o ano fiscal de 2026 — acima da sazonalidade histórica do primeiro trimestre da empresa, sugerindo um potencial de alta nos números.
“De forma geral, apesar da divulgação ainda limitada, consideramos o primeiro trimestre encorajador. Os resultados reforçam os principais pilares da nossa avaliação para a ação (melhoria do MLR, crescimento contínuo do número de membros e uma contribuição já positiva dos hospitais da Atlântica)”, diz trecho do relatório.