Depois de encerrar 2025 com um investimento de R$ 301 milhões, abaixo da faixa inicialmente projetada para o ano, entre R$ 330 milhões e R$ 400 milhões, a Iguatemi, operadora de shopping centers, outlets e ativos imobiliários de uso misto, está subindo essa régua em 2026.

Para o ano, a companhia projeta um capex entre R$ 450 milhões e R$ 600 milhões, com o indicativo de realizar R$ 550 milhões. O valor não inclui eventuais M&As, um expediente no qual o grupo tem sido bastante ativo. Mas já tem um destino certo: as expansões e retrofits dos ativos da empresa.

“A ocupação daquela vacância gerada na pandemia já foi feita pelo setor. Mas acho que o mercado ainda não tem volume para greenfields”, diz Guido Oliveira, CFO da Iguatemi, ao NeoFeed. “Então, a nossa tese é gerar valor, diferenciação e ainda mais resiliência nos ativos do nosso portfólio.”

Sob essa orientação, o investimento projetado para o ano já está em execução. Uma das obras envolve um rooftop no Iguatemi São Paulo, cuja previsão de inauguração é março de 2027 e que adicionará 5 mil metros quadrados (m²) de área bruta locável (ABL) ao empreendimento.

Os “canteiros” também estão a pleno vapor no Iguatemi Brasília, com uma expansão de 15 mil m² de ABL e inauguração prevista para setembro de 2027. E no retrofit do Market Place, em São Paulo, que inclui uma nova torre para escritórios e o investimento em um conceito de open mall.

A leva de projetos inclui ainda uma nova torre comercial no Iguatemi Campinas, prevista para ser inaugurada no início de 2028, e o avanço das obras de infraestrutura do Casa Figueira, bairro planejado que está sendo construído integrado a esse empreendimento e cujos lotes já começaram a ser vendidos.

O pacote de reformas, ampliações e melhorias também passa pelos dois ativos mais novos nesse portfólio, os shoppings Rio Sul e Pátio Paulista, incorporados ao grupo, respectivamente, em 2024 e 2025.

“No segundo semestre, vamos começar a etapa de modernização do Pátio Paulista”, diz Oliveira. “O Rio Sul já está mais avançado nesse processo, mas, até por ser um shopping mais antigo, tem muito mais a ser feito por lá.”

Ao mesmo tempo, o Rio Sul abriga um dos exemplos mais recentes de outra linha por meio da qual o Iguatemi tem buscado se diferenciar de seus pares no setor: o mix de lojistas em seus empreendimentos.

O mais novo inquilino do Rio Sul é a H&M, que abriu sua primeira loja carioca há duas semanas. A rede sueca tem oito unidades previstas com o grupo, das quais, três já estão em operação. Previstas para junho, as próximas aberturas serão em Porto Alegre, no Praia de Belas e no Iguatemi da capital gaúcha.

“Recentemente, outras marcas, como Alo Yoga, Birkenstock e Comme des Garçons, escolheram abrir lojas nos ativos da Iguatemi”, afirma Oliveira. “Então, vamos fortalecer ainda mais esse portfólio para seguir atraindo esse fly to quality.”

Em paralelo, o executivo não descarta novos M&As. Nessa esteira, neste ano, a Iguatemi concluiu a venda de fatias minoritárias de quatro ativos para o fundo XP Malls, em um acordo de R$ 372 milhões. Além da compra de uma participação adicional de 3% no Pátio Paulista, por R$ 75,6 milhões.

Oliveira ressalta, porém, que novos movimentos nessa direção só serão feitos sob o mantra da disciplina financeira. E que a prioridade, de fato, é seguir aprimorando o que está dentro de casa, em busca de melhor rentabilidade por metro quadrado.

Divulgado na noite de terça-feira, 5 de maio, o balanço do primeiro trimestre de 2026 traz o retrato mais recente das capturas realizadas a partir dessa estratégia. Entre elas, o lucro líquido ajustado de R$ 239,5 milhões, alta de 110,3% sobre igual período de 2025.

Já as vendas totais dos empreendimentos do grupo cresceram 12,8%, para R$ 5,6 bilhões, enquanto a receita líquida ajustada avançou 11,8%, para 368,9 milhões. O Ebitda ajustado, por sua vez, foi de R$ 405,2 milhões, alta de 65,9%, com a margem Ebitda ajustada em 109,9%, contra 74%, há um ano.

Entre janeiro e março, as vendas mesmas lojas e as vendas por metro quadrado tiveram uma expansão, respectivamente, de 7,8% e 7,3%. O aluguel por metro quadrado cresceu 8,8% e a taxa de ocupação foi de 97,3%.

Em outras linhas, o fluxo de caixa operacional ajustado teve um salto de 98,4%, para R$ 274,7 milhões. E a alavancagem, um ponto de atenção nos últimos trimestres, ficou em 1,29 vez. Há um ano, esse índice era de 1,76 vez.

As units da Iguatemi encerraram o pregão de hoje com alta de 0,77%, cotadas a R$ 27,56. Em 2026, a valorização acumulada é de 7,7%. O grupo está avaliado em R$ 7,8 bilhões.