Donas de jogos como Banco Imobiliário, Detetive e Genius, que foram sucesso de vendas nos anos 1980 e 1990, a fabricante de brinquedos Estrela entrou com pedido de recuperação judicial. O protocolo à Justiça, feito na Comarca de Três Estrelas, em Minas Gerais, foi comunicado pela companhia na manhã desta quarta-feira, 20 de maio.

O ajuizamento da RJ envolve oito empresas do grupo: Brinquemolde Licenciamento Indústria e Comércio, Catu Comércio de Cosméticos Sociedade Unipessoal, Editora Estrela Cultural, Estrela – Distribuidora de Brinquedos, Comercial, Importadora e Exportadora, JM Comércio e Indústria de Plásticos, Manufatura de Brinquedos Estrela, Starcom do Nordeste Comércio e Indústria de Brinquedos e Starcom Ltda.

O mercado financeiro reagiu de forma negativa à decisão da empresa de brinquedos. Por volta de 11h35, as ações da companhia operavam em queda de 33% na B3.

O impacto do custo provocado pela alta da taxa de juros foi um dos motivos apresentados pela empresa para justificar o pedido à Justiça. Hoje, a Selic está fixada a 14,5%, após queda de 0,25 ponto percentual na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), no fim de abril.

Outra razão para explicar os problemas financeiros da companhia ao longo dos anos tem relação, segundo a própria empresa, com a maior competição com jogos digitais, redes sociais, desafios online, além de jogos físicos importados mais baratos, principalmente da Ásia.

O documento é assinado por Carlos Tilkian, diretor de relações com investidores, que também é presidente e principal acionista da empresa.

“A decisão de ajuizamento decorre da necessidade de reestruturação do passivo do Grupo Estrela, em um contexto de pressões econômicas e setoriais relevantes, incluindo, entre outros fatores, aumento do custo de capital e restrição de crédito; mudanças no comportamento de consumo, com maior competição de alternativas digitais; e impactos acumulados ao longo dos últimos anos sobre a estrutura financeira da Companhia”, diz a empresa, no comunicado.

No fato relevante, a empresa informa que irá apresentar, futuramente, sem afirmar data, o plano de recuperação judicial, que deverá ser submetido à aprovação dos credores. A Estrela também não informa o valor total da dívida.

Ainda segundo a companhia, a decisão de protocolar o pedido de recuperação judicial não afeta as operações industriais e nem a venda de produtos. A empresa diz ter produzido mais de 26 mil brinquedos diferentes ao longo de sua história. A Estrela foi fundada em junho de 1937, em São Paulo.

“A companhia reafirma sua confiança na continuidade regular de suas operações, mantendo suas atividades industriais, comerciais e administrativas, bem como o atendimento a clientes, parceiros e fornecedores, adotando as medidas necessárias para assegurar a continuidade de seus negócios ao longo do processo de reestruturação”, afirma, no documento.

O anúncio da Estrela se soma à lista de empresas que buscaram a Justiça recentemente para tentar reequilibrar as contas e evitar um pedido de falência. A mais recente foi o pedido do Grupo Toky, fruto da fusão entre Tok&Stok e Mobly, que acumula dívida de R$ 1,11 bilhão.

No último balanço financeiro tornado público pela empresa, referente ao exercício de 2024, a fabricante de brinquedos reportou um prejuízo líquido de R$ 24,26 milhões, valor 11,3% acima dos R$ 21,8 milhões registrados no ano anterior.

No acumulado de 2026, as ações ESTR4 registram desvalorização de 38,5%. A companhia tem valor de mercado de R$ 33,4 milhões.

Procurado pelo NeoFeed para comentar o pedido de recuperação judicial, Tilkian não respondeu aos contatos.