A Capim, fintech de soluções financeiras para o setor odontológico, anunciou a aquisição da Dental Office, operação que deu saída à Stone, que está se desfazendo de uma série de participações em startups como parte de seu processo de reestruturação. Os termos financeiros não foram divulgados.

O acordo prevê que os sistemas das duas empresas permanecerão separados, com a operação da Dental Office continuando independente, sob o comando de Roger André Hitz, fundador e CEO da empresa, segundo comunicado divulgado pelas empresas.

Fundada em 2000, a Dental Office se junta à Capim, que no ano passado captou US$ 27 milhões numa rodada liderada pela Valor Capital e pela QED Investors, com participação de Endeavor, Credit Saison e Actyus.

“Estou muito animado de juntar a minha experiência ao time da Capim. Juntos, vamos potencializar a carreira de milhares de dentistas e democratizar o acesso à saúde bucal para milhões de brasileiros”, afirmou Hitz, em nota.

As empresas não entram em detalhes sobre o tamanho da empresa pós-aquisição, mas uma fonte ouvida pelo NeoFeed informou que, com a Dental Office, a Capim caminha para superar R$ 50 milhões de receita anual. A Clinicorp, principal nome desse mercado, investida da Cloud9, que alcançou R$ 100 milhões em receita recorrente anual.

No comunicado, a Capim informa que a transação prevê a conexão dos clientes da Dental Office às soluções financeiras da Capim, entre elas, o financiamento do paciente e a maquininha, presentes em mais de 12 mil clínicas em todo o país.

A Stone tinha uma participação de cerca de 20% na Dental Office, adquirida no período entre 2020 e 2021, quando realizou investimentos em uma série de startups para ampliar sua atuação para além de adquirência pura e simples, num momento em que lutava na “guerra das maquininhas”.

Nessa estratégia, a Stone investiu na Vitta, que oferece sistemas para consultórios médicos e planos de saúde para startups, estratégia similar que guiou o investimento na Dental Office.

“O investimento da Stone na Dental Office era para introduzir serviços financeiros dentro da base de softwares da Dental Office”, disse uma fonte ouvida pelo NeoFeed. “Mas acabou que o negócio nunca decolou.”

Outra fonte disse que a operação foi positiva para a Stone, num momento em que está se concentrando nos ativos core. “A transação foi concluída em condições atrativas, com um múltiplo acima de 20 vezes o EV/EBITDA da Dental Office”, afirmou.

A Stone vem fazendo ajustes nas operações, buscando se concentrar em suas principais atividades, diante das dificuldades que vem enfrentando. O Citi cortou a recomendação das ações da empresa de compra para neutro, na semana passada, alertando para fragilidade nos motores de receita da Stone e para a qualidade dos ativos.

No primeiro trimestre, a Stone registrou um lucro líquido ajustado de R$ 549,1 milhões, um aumento de 3,5% quando comparado com o resultado do primeiro trimestre de 2025, mas uma redução de 22,3% sobre o balanço do quarto trimestre.

A receita total foi de R$ 3,57 bilhões, alta de 6,5% em comparação à mesma base do ano anterior e queda de 4% sobre o quarto trimestre.

Os desinvestimentos fazem parte da estratégia da Stone. Em julho, a companhia fez o movimento mais relevante nessa frente, com a venda da Linx para a Totvs por R$ 3,05 bilhões.

Procurada pelo NeoFeed, a Stone informou que a operação segue “o mesmo racional estratégico de foco no core business de serviços financeiros e disciplina de alocação de capital” e que tem reavaliado continuamente seu portfólio de participações.

Na transação, a Capim foi assessorada pela Lefosse. A Dental Office contou com assessoria jurídica da Oliverio Advogados e assessoria financeira da NewHarbour Partners.