Os resultados financeiros da Stone no primeiro trimestre de 2026 não foram bem digeridos pelo mercado financeiro. O Citi rebaixou a recomendações das ações da instituição, de compra para neutra, e reduziu o preço-alvo de US$ 18 para US$ 11.

No balanço, a companhia reportou uma receita total de R$ 3,57 bilhões no período, alta de 6,5% em comparação à mesma base do ano anterior e queda 4% sobre o quarto trimestre.

A alta, segundo a Stone, foi motivada pela maior contribuição do produto de crédito. Já a redução sobre o trimestre anterior tem relação com o crescimento mais fraco sobre o volume total processado (TPV).

“Diante da fragilidade dos motores de receita, das incertezas em relação à qualidade dos ativos, que podem levar a maiores provisões, e das taxas de juros persistentemente elevadas, estamos reduzindo nossas expectativas para a STNE”, dizem os analistas Gustavo Schroden, Arnon Shirazi e Brian Flores.

No relatório, o Citi aponta uma perspectiva de incertezas de crescimento e projeta risco de queda nos papeis da companhia na bolsa americana para os próximos 90 dias.

A Stone registrou, entre janeiro e março, lucro líquido ajustado foi de R$ 549,1 milhões, um aumento de 3,5% quando comparado com o resultado do primeiro trimestre de 2025, mas uma redução de 22,3% sobre o balanço do quarto trimestre.

“Em nossa opinião, as tendências recentes no setor de pagamentos sugerem fragilidade para o modelo de negócios de aquisição de comerciantes independente, enquanto o suporte esperado do segmento de crédito pode se mostrar mais limitado do que o previsto, dada a recente evolução na qualidade dos ativos”, afirma o documento do Citi.

O lucro bruto ajustado ficou relativamente estável, com R$ 1,48 bilhão, queda de 0,2% sobre o ano anterior, mas com redução expressiva de 10,5% sobre o trimestre anterior. O fator primordial é que o crescimento da receita foi compensado por maiores provisões para perdas com crédito, custos mais elevados e aumento nas despesas.

Segundo o Citi, o risco está justamente nesta deterioração do crédito. “A carteira de crédito acelerou para R$ 3,2 bilhões (+123% ano sobre ano), principalmente em crédito semanal para comerciantes, com melhorias nos rendimentos, embora a qualidade dos ativos tenha sido a principal preocupação.”

A margem líquida ajustada ficou em 15,3%, abaixo dos 15,8% registrados no primeiro trimestre do ano anterior, e com uma distância ainda maior sobre o resultado desta linha no quarto trimestre, que foi de 19%.

“A receita de atividades transacionais ficou abaixo da nossa previsão, pois a empresa atribuiu o resultado à otimização de preços, o que deve impulsionar a receita de operações financeiras. Com isso, a taxa de comissão caiu para 0,35% — uma redução de 14 pontos percentuais ano contra ano”, dizem os analistas do Citi.

No resultado, a margem bruta ajustada ficou em 41,6% no trimestre, abaixo dos 44,4% reportados no primeiro trimestre de 2025 e dos 44,6% registrados no quarto trimestre do ano passado. Segundo a Stone, a linha foi afetada por custos de rescisão relacionados à redução do quadro de funcionários, realizada no fim do trimestre.

Por outro lado, a receita de operações financeiras da empresa superou em 5% a previsão do banco, o que foi atribuído ao aumento da receita de pré-pagamentos. Já a receita de crédito representou apenas 11% do total das operações financeiras.

A base de clientes é outra preocupação que está no radar dos analistas. A Stone fechou o primeiro trimestre com 4,7 milhões de clientes ativos, alta de 13,2% na comparação anual, mas uma queda de 4,8% sobre o quarto trimestre, quando encerrou com 4,94 milhões.

A redução, segundo a instituição, pode ser explicada pela revisão das ofertas de pacotes, a partir da decisão de cobrar contas inativas, colocando foco nos segmentos de alto engajamento e com maior potencial de conversão.

Na Nasdaq, as ações da Stone operavam em queda 2% nesta sexta-feira, 15 de maio, por volta de 12h. No acumulado de 2026, a desvalorização chega a 35,7%. A companhia está avaliada em US$ 2,3 bilhões.