Os dividendos extraordinários anunciados pela Stone na terça-feira, 14 de abril, oriundos da venda da Linx, podem até ter dado algum ânimo para a tese da companhia, em um momento em que o valuation está bem baixo.

Mas os analistas do BTG Pactual alertam: sem uma melhora operacional significativa, as ações permanecerão nos atuais patamares. E afirmam que o tempo está acabando para a Stone mostrar que pode apresentar um turnaround factível.

“Neste momento, uma das principais questões é se a Stone conseguirá sair dessa situação por conta própria, apenas com a execução, ou se a história poderá eventualmente exigir alguma forma de alternativa estratégica ou fusões e aquisições para desbloquear valor”, diz trecho do relatório assinado pelos analistas Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale, que recomendam a compra das ações, com preço-alvo de US$ 19 - o papel está sendo negociado perto de US$ 15.

Olhando para o valuation, os analistas do BTG Pactual destacam que as ações da Stone são negociadas a um P/L de 6 vezes. O múltiplo é menor que as 6,1 vezes registradas pelo Banco do Brasil, que enfrenta duros problemas relacionados à inadimplência do setor agro, enquanto a processadora de pagamentos apresenta bom fluxo de caixa e maior rentabilidade.

Mas as parcas perspectivas operacionais representam um peso relevante, como ficou claro no dia seguinte ao anúncio do dividendo. Apesar de bem-vindo, o provento não fez as ações saltarem como se esperaria de uma notícia como essa. No ano, os papéis sobem 1,26%, levando o valor de mercado a US$ 3,6 bilhões.

“O problema é que o ritmo operacional continua fraco, e o mercado parece cada vez mais relutante em pagar por uma recuperação que ainda não se materializou claramente”, diz trecho do relatório.

As expectativas não são positivas para a Stone, depois das sinalizações dadas pela companhia em março sobre o que esperar dos resultados do primeiro trimestre. A situação fez com que os papéis caíssem mais de 19% no pregão de 3 de março.

Os analistas do BTG Pactual projetam que o volume total de pagamento (TPV, na sigla em inglês) do segmento de micro, pequenas e médias empresas deve permanecer estável em relação ao primeiro trimestre de 2025. A estimativa está em linha com o que a empresa havia previsto na última teleconferência – se o Pix for incluído, fica ligeiramente acima do apurado no ano anterior.

Outro ponto negativo é a qualidade dos ativos, resultando em um aumento das provisões, puxado pelo crescimento de empréstimos inadimplentes (NPLs) em alguns nomes de maior valor e pelo desempenho mais fraco de safras recentes. “O custo do risco pode atingir algo acima dos 17% registrados no quarto trimestre”, diz trecho do relatório.

As receitas devem aumentar quase 5% em relação ao ano anterior, mas cair 5% em relação ao trimestre anterior. Apesar da expectativa de que o lucro operacional recue em um dígito baixo em relação ao ano anterior, os analistas dizem que a menor alíquota de imposto deve permitir que o lucro líquido ajustado das operações continuadas aumente ligeiramente em relação ao ano anterior, para cerca de R$ 540 milhões.

Os analistas reconhecem que a Stone tem o diagnóstico correto da situação, atuando nas mais diversas frentes, como execução, controle de custos e engajamento da parte comercial, além da experiência com esses temas. Mas se questionam se será suficiente, afirmando que não há um fator que explique o mau desempenho da Stone.

“Se os problemas estivessem claramente ligados a uma variável, como o preço, o caminho para a recuperação poderia ser mais óbvio, mas também muito mais custoso do ponto de vista da economia unitária. Em vez disso, o diagnóstico atual sugere a necessidade de ‘apertar muitos parafusos’ em toda a proposta de valor”, diz trecho do relatório.

Por volta de 12h26, as ações da Stone subiam 0,94%, a US$ 15,06.