Após mais de 20 anos no topo, a Toyota foi destronada como maior empresa do Japão em termos de valor de mercado. Em seu lugar ficou o Softbank, que se estabeleceu como o veículo prioritário para exposição à inteligência artificial (IA) no mercado japonês.

A troca ocorreu nesta segunda-feira, 1º de junho, após os papéis da companhia de Masayoshi Son fecharem em sua máxima histórica, subindo 14,02%, a 8.541 ienes (US$ 53,63).

Os investidores reagiram positivamente à divulgação feita pela companhia, no sábado, 30 de maio, de que investirá até € 75 bilhões (US$ 87,6 bilhões) em uma vasta rede de clusters de computação de IA na França. É o maior investimento do Softbank em IA fora dos Estados Unidos.

Com as ações acumulando alta de mais de 85% desde o início do ano, o Softbank passou a registrar market cap de 48,8 trilhões de ienes (US$ 306,4 bilhões).

Já as ações da Toyota fecharam o dia com queda de 4,49%, a 2.906 ienes (US$ 18,24), fazendo com que o valor de mercado da montadora somasse 45,9 trilhões de ienes (US$ 288 bilhões). A companhia alcançou o primeiro lugar do ranking de empresas mais valiosas do Japão em 2003, no lugar da NTT Docomo.

O Softbank vem em ascensão no mercado acionário japonês, puxado por sua grande aposta na OpenAI e pela série de investimentos em IA. Mas essa escalada não foi linear.

Depois de atingirem o pico em outubro, as ações do Softbank entraram em período de baixa, com os investidores revendo a tese da OpenAI.

A direção mudou depois que a companhia de Sam Altman começou a sinalizar a intenção de realizar um IPO nos Estados Unidos e a produtora de chips Arm previu aumento nas receitas graças à futura fábrica de semicondutores.

A tese de IA ganhou força no Japão. Analistas do banco Nomura, citados em reportagem do Financial Times (FT), estimam que o Nikkei 225, principal índice da bolsa japonesa, deve fechar o ano em 67 mil pontos e atingir 70 mil em 2027, por conta das perspectivas positivas para os resultados das empresas de IA e microprocessadores. No ano, o Nikkei 225 acumula alta de 29,1%.

O Softbank pode ser o preferido, mas não é o único nome no mercado japonês valorizado pela tese de IA. A fabricante de chips Kioxia também viu seu valor disparar, subindo 538,77%, sendo avaliada em 39,6 trilhões de ienes (US$ 248,7 bilhões), devido às expectativas de demanda massiva por chips de memória necessários para a construção de data centers.

A empresa se tornou a terceira maior da bolsa japonesa, passando o MUFG, maior banco do Japão, cujo market cap soma 35,9 trilhões de ienes (US$ 225,3 bilhões).

A tese de IA no Japão também tem atraído a atenção dos estrangeiros, após longo período em que ficaram de fora. Segundo o FT, na semana encerrada em 23 de maio, o fluxo de investidores estrangeiros foi positivo em 1,1 trilhão de ienes, representando a oitava semana consecutiva de compras.