O avanço das canetas emagrecedoras pode criar um efeito colateral positivo para a Espaçolaser. Na avaliação de Magali Leite, CEO da companhia, a popularização dos medicamentos da classe GLP-1 deve ampliar o universo de consumidores preocupados com estética, bem-estar e autoestima e, consequentemente, aumentar a demanda por depilação a laser.
Com a maior parcela dos clientes nas classes C e D, Magali afirmou, em entrevista ao Call de Negócios, programa do NeoFeed exibido no CNN Money, que a expectativa ganha força principalmente com a chegada de versões nacionais e mais baratas desses medicamentos, capazes de ampliar o acesso ao tratamento.
"A gente certamente está esperando um aumento no número de pessoas que não faziam depilação a laser. Com a democratização do GLP-1, nossa gama de clientes também deve ser afetada”, disse.
A leitura da companhia reforça uma tendência que já vem sendo debatida no mercado. Analistas têm acompanhado de perto os efeitos dos medicamentos sobre diversos setores, de supermercados a academias.
Recentemente, por exemplo, o Itaú BBA reduziu o preço-alvo do papel da RD Saúde ao avaliar que a popularização das canetas pode diminuir, no longo prazo, a demanda por medicamentos associados à obesidade. Ao mesmo tempo, empresas ligadas ao bem-estar e à atividade física passaram a enxergar oportunidades de crescimento com consumidores mais engajados na transformação do estilo de vida.
Por isso, a executiva acredita que as canetas podem ajudar a reescrever a história da companhia junto a investidores. Desde o IPO, em 2021, a ação da empresa despencou cerca de 60%. Magali diz que a precificação “não é justa”, já que a empresa vem reduzindo a sua alavancagem há 18 trimestres consecutivos e a dívida líquida há nove meses.
No primeiro trimestre de 2026, a Espaçolaser faturou R$ 290,2 milhões, resultado praticamente estável em relação ao mesmo período do ano anterior. A empresa encerrou março com dívida líquida de R$ 521,9 milhões, reduzindo a alavancagem para 1,77 vez o EBITDA, o menor patamar em quatro anos e meio.
Para Sidney Lima, da Ouro Preto Investimentos, no entanto, o que mais pesa para a companhia é o cenário macroeconômico, com taxa de juros ainda em patamar elevado. “Existe uma diferença entre a diminuição do risco do negócio e a otimização do resultado da receita e o crescimento do negócio. São coisas distintas que acabam afetando o preço das ações”, avaliou.
Na última quarta-feira, dia 08 de julho, o papel ESPA3 fechou cotado em R$ 7,41. Apesar disso, o preço representa uma valorização de mais de 600% em relação aos R$ 1,02 no primeiro pregão do ano.
A estratégia de crescimento adotada por Magali, porém, vai além da disciplina financeira. A empresa, que soma cerca de 5 milhões de clientes e mais de 800 unidades entre lojas próprias e franquias, pretende ampliar sua atuação em públicos onde ainda vê baixa penetração, como homens, pessoas de pele negra e mulheres em menopausa.
Ao mesmo tempo, a companhia vem apostando em parcerias comerciais com empresas como Nubank, Itaú, Cruzeiro do Sul e Smart Fit, apostando na troca de visibilidade e no compartilhamento de bases de clientes para acelerar a aquisição de consumidores.
O valor de mercado atual da Espaçolaser é de aproximadamente R$ 260 milhões.
O gargalo de liderança feminina
Além dos desafios operacionais, Magali também falou sobre a experiência de liderar uma empresa de capital aberto em um ambiente ainda predominantemente masculino. Para ela, embora as mulheres já sejam maioria nas universidades, essa presença não se reflete na mesma proporção nas posições de CEO ou no C-level das empresas. "Ainda não estamos em um patamar justo de reconhecimento", afirmou.
A CEO defende que ampliar a participação feminina na liderança exige uma combinação de políticas afirmativas, apoio de lideranças masculinas e uma mudança de postura das próprias profissionais. Segundo Magali, muitas mulheres acreditam que precisam cumprir 100% dos requisitos antes de disputar uma promoção, enquanto os homens costumam assumir mais riscos.
Ela também afirma que, ao longo da carreira, precisou aprender a ser mais assertiva em reuniões e a sustentar seus pontos de vista em ambientes onde, muitas vezes, as contribuições femininas recebem menos atenção do que as dos colegas homens.